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    folha, 95 anos

    Folha prepara sistema de publicação que facilita produção em vários meios

    ROBERTO DIAS
    SECRETÁRIO-ASSISTENTE DE REDAÇÃO

    27/02/2016 02h00

    Evandro Malgueiro/Casa Locomotiva
    Montagem sobre fotografia de J. R. Eyerman para a "Life Magazine", de 1952, em Los Angeles
    Montagem sobre fotografia de J. R. Eyerman para a "Life Magazine", de 1952, em Los Angeles

    Cada jornalista que produz uma reportagem da Folha tem à disposição um público jamais imaginado por seus colegas de décadas atrás.

    Mais de 20 milhões de brasileiros consomem conteúdo do jornal a cada mês, segundo a Métrica Única de Audiência, apresentada em 2015 e coordenada pelo Ipsos.

    O alcance é mais nacionalizado e mais internacionalizado do que em qualquer outro momento do jornal. A velocidade de difusão das notícias não tem paralelo.

    A mesma trilha que expandiu o universo de leitores, porém, tem exigido que o jornal repense rapidamente modelos de negócio e de produção de conteúdo.

    Reside aí o que o diretor de Redação, Otavio Frias Filho, chamou recentemente de "profundo paradoxo" vivido pelo jornalismo.

    "Nunca se divulgou nem se leu tanta notícia como hoje", afirmou Frias Filho no Encontro Folha de Jornalismo.

    "Por outro lado, e daí o paradoxo, os pilares de sustentação econômica do jornalismo foram abalados pela transformação tecnológica."

    A principal mudança para os jornais diz respeito aos anunciantes, que historicamente formaram o maior dos pilares de sustentação do jornalismo profissional.

    Com crescimento anual na casa de dois dígitos, a publicidade digital somou em 2015 cerca de 30% do mercado global, estimado em US$ 570 bilhões pela consultoria eMarketer. Com suas plataformas on-line, os jornais também competem por esse dinheiro.

    Trata-se de um mercado peculiar: está por um lado concentrado em grandes empresas tecnológicas, notadamente o Google, e, na parcela restante, pulverizado por uma infinidade de concorrentes de diversos tamanhos.

    Vale lembrar, de qualquer modo, que mexer nos pilares de sustentação não é uma novidade para o jornalismo profissional. No mercado americano, o mais estudado e discutido de todos, a publicidade só assumiu o posto de maior fonte de receita na reta final do século 19.

    O mais famoso episódio desse ponto de inflexão foi a batalha entre dois barões da mídia dos EUA: Joseph Pulitzer (1847-1911) e William Randolph Hearst (1863-1951). O primeiro tem o nome associado ao mais respeitado prêmio jornalístico do mundo. O segundo ficou eternizado como o personagem retratado no filme "Cidadão Kane", clássico de Orson Welles.

    Numa guerra de circulação, eles baixaram os preços dos diários para um centavo, transformando-os em produtos de massa, com circulação de centenas de milhares de exemplares. O novo modelo de negócios atraiu os anunciantes, e a partir daí a indústria jornalística se transformou profundamente.

    "Nesse ambiente competitivo, o jornal diário mudou radicalmente", escreveu o professor universitário Joseph Turow no livro "Media Today: An Introduction to Mass Communication".

    Com muitos desenhos, colunistas, robustas seções de esporte e revistas dominicais cheias de fotografias, o jornal se tornou um mosaico de conteúdos destinado a atrair os mais diferentes tipos de pessoas, apontou.

    Segundo Turow, esse produto complexo levou a uma estrutura corporativa igualmente complexa, "com departamentos de publicidade e de circulação que frequentemente eram tão grandes quanto a própria Redação".

    SINAIS DE REAÇÃO

    Agora, novamente colocada à prova, a indústria jornalística dá os primeiros sinais de reação. A mais recente edição do anuário World Press Trends, da WAN-IFRA (Associação Mundial de Jornais), mostrou que pela primeira vez no século 21 a receita global dos jornais com a venda do conteúdo ultrapassou o faturamento com publicidade.

    Em 2014, os diários mundiais faturaram, somados, US$ 179 bilhões, sendo US$ 92 bilhões de circulação impressa e digital e US$ 87 bilhões em publicidade, de acordo com a estimativa da organização -que ressalta que o número total supera o das indústrias de livros, de música e de filmes.

    "Há uma mudança sísmica, levando a ênfase do negócio de uma relação de empresa para empresa ('publishers' para anunciantes) para uma relação crescente entre empresa e consumidores ('publishers' para leitores)", afirmou Larry Kilman, secretário-geral da WAN-IFRA.

    A Folha não só acompanha como tem sido protagonista em vários aspectos desse movimento da indústria.

    Foi o primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa, tendo montado sua versão web dois meses após a internet comercial chegar ao Brasil, em 1995.

    Foi o primeiro órgão de mídia brasileiro a lançar um aplicativo com tecnologia HTML5, em 2011, adaptando seu conteúdo a diferentes tamanhos de tela de aparelhos móveis, hoje a fonte dominante de audiência.

    Foi o primeiro veículo do país a adotar um modelo de paywall (muro de cobrança) poroso em suas páginas de internet, em 2012, dando início a um movimento que acabou abrangendo grande parte dos jornais brasileiros.

    Não por acaso, a Folha é líder em assinaturas digitais, segundo o IVC (Instituto Verificador de Comunicação).

    O jornal agora tem dedicado energia à confecção de um publicador único de todo seu conteúdo, nos mais diferentes formatos e capaz de servir a uma Redação com equipes que trabalham 24 horas por dia, sete dias por semana.

    Batizado de Gutenberg, homenagem ao inventor da imprensa, o sistema entrou em operação em janeiro, na reforma visual do "F5", site de entretenimento da Folha. Será expandido nos próximos meses a outros sites do jornal e facilitará a distribuição em diferentes plataformas do conteúdo produzido pela Redação.

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