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    o impeachment

    Cunha quer modelo para 'emparedar' governo em votação do impeachment

    RANIER BRAGON
    DE BRASÍLIA

    30/03/2016 18h28

    Renato Costa/Folhapress
    Presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), abre sessão no plenário da Casa para acelerar rito do impeachment de Dilma (DF)
    O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

    Adversários declarados, o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), passaram os últimos dias montando estratégias para o dia crucial da votação do impeachment no plenário da Câmara dos Deputados, possivelmente em meados de abril.

    Diante da possível manobra de deputados pró-Dilma Rousseff de faltarem à sessão –a ausência é benéfica ao Planalto, já que é preciso pelo menos 342 dos 513 votos para que o pedido seja remetido ao Senado–, Cunha já definiu um contra-ataque, segundo aliados.

    A intenção do peemedebista é fazer sucessivas chamadas nominais dos faltosos, com a leitura do nome, partido e Estado do parlamentar, como forma de deixar clara a manobra de eventuais "fujões".

    Cunha tem o desejo de fazer a votação final em um domingo, dia em que espera que a audiência televisiva da sessão seja estrondosa, acrescida de manifestação recorde em frente ao Congresso Nacional.

    Além disso, o presidente da Câmara prepara outra manobra contra a petista. A de chamar por último o voto dos deputados do Nordeste, região em tese mais simpática ao governo.

    A expectativa do presidente da Câmara, dizem aliados, é a de que a essa altura já haja uma maioria consolidada pela abertura do processo de impeachment, principalmente pelos votos das regiões Sul e Sudeste.

    O regimento interno da Câmara estabelece que a votação deve começar pelos deputados do Norte e do Sul, alternadamente, só depois indo para os Estados das demais regiões. Ou seja, fica a critério de Cunha definir quais vêm depois, entre Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.

    A área técnica da Câmara entende que Nordeste e Sudeste deveriam ser os próximos, depois de Norte e Sul, na lógica de "encontro" ao centro ao final da votação.

    A sessão do impeachment deve durar três dias, segundo já disse o próprio Cunha. Aliados afirmam que ele pretende deixar o período de votação aberto por cerca de oito horas com o objetivo de constranger deputados que aceitem o apelo do governo para não aparecer na sessão.

    Além disso, cada voto de cada deputado, que será proferido em um dos microfones do plenário, após chamada nominal, será repetido no microfone da Mesa por Cunha ou por algum integrante da Mesa. Mais uma vez, afirmam deputados que participaram das negociações com o peemedebista, o objetivo é constranger deputados que pretendem votar com o governo, que amarga baixíssima popularidade.

    COMPRA

    Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (30), Cunha criticou a oferta de cargos e ministérios pelo governo para tentar barrar o impeachment –apesar de ser filiado a um partido, o PMDB, com largo histórico de fisiologismo.

    "É um jogo de compra, de manobras, de toda sorte de medidas que não deveria permear a política", diz o presidente da Câmara, que negou que o mesmo esteja sendo feito por aliados de Michel Temer (PMDB-SP).

    "O que o governo está fazendo, pelas notícias, são manobras com tentativa de cooptação através de cargos, emendas, recursos. Isso não é bom para a política e não vai resolver o problema", acrescentou Cunha.

    Impeachment da Dilma

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