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    Lava Jato

    Silvio Pereira diz que fornecia 'cestas de Natal' para empreiteiras

    FELIPE BÄCHTOLD
    DE SÃO PAULO

    04/04/2016 21h55

    Luiz Carlos Murauskas - 08.jun.2005/Folhapress
    O ex-secretário-nacional do Partido dos Trabalhadores Silvio Pereira é alvo de prisão preventiva
    O ex-secretário-nacional do Partido dos Trabalhadores Silvio Pereira é alvo de prisão preventiva

    O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira disse em depoimento que recebeu pagamentos de empreiteiras porque fornecia "cestas de Natal" para essas empresas.

    Silvinho, como é conhecido, foi preso na Operação Lava Jato na última sexta-feira (1º), sob suspeita de receber cerca de R$ 500 mil de empreiteiras como uma forma de comprar seu silêncio.

    Ele foi investigado no processo do mensalão, mas não virou réu na ocasião porque tinha firmado um acordo com o Ministério Público Federal.

    Em depoimento nesta segunda-feira (4), Pereira se apresentou aos investigadores como "cozinheiro" e disse que trabalha em seu restaurante em Osasco, chamado Tia Lela. Ele disse que vendeu um "pacote promocional" de cestas para a empreiteira OAS presentear clientes e funcionários, que custava cerca de R$ 80 mil.

    O ex-secretário também afirmou que recebeu R$ 35,7 mil em 2011 da construtora UTC também para o fornecimento de cestas de Natal. Silvinho, porém, não explicou vários dos outros pagamentos recebidos.

    Os investigadores questionaram sobre uma mensagem de 2011 em que o empreiteiro Leo Pinheiro da OAS o questionava sobre uma "proposta". Ele disse que o assunto se referia a um projeto de "revista de culinária".

    "Os valores recebidos da UTC, OAS e Tomé [Engenharia] não têm relação como uma forma de 'cala boca' pelo caso mensalão", disse, segundo a transcrição.

    Ele contou ainda que fez um trabalho de "monitoramento eleitoral" para o executivo Augusto Mendonça, que também é réu em ações da Lava Jato, e que por esse serviço ganhou R$ 154 mil em 2010.

    Duas empresas do ex-secretário receberam ao menos R$ 2 milhões de campanhas eleitorais de candidatos petistas a partir de 2008. Ele afirmou que alugou carros de som para a campanha do atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), em 2012, por R$ 250 mil. Também disse que promovia eventos em seu restaurante e que os principais serviços prestados por uma de suas empresas, a Central de Eventos, foram para a campanha à Presidência de Lula em 2006.

    JIPE

    Silvio Pereira ficou conhecido no escândalo do mensalão por ter recebido um jipe Land Rover da empresa GDK, fornecedora da Petrobras.

    À PF disse que teve uma conversa, na época, com o presidente da fornecedora, chamado "Cesar", sobre o quanto o poder é "efêmero" e a importância de realizar "sonhos". "Comentou que era um sonho ter um jipe de guerra", diz a transcrição do depoimento.

    O ex-secretário também afirmou que no primeiro mandato de Lula coordenava indicações para o governo. Disse que não fazia diretamente as nomeações, mas os empresários achavam que ele tinha o "poder" para isso.

    No depoimento, os investigadores novamente perguntaram sobre algo que envolvesse Lula e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho na morte de Celso Daniel, prefeito petista de Santo André, em 2002. Pereira disse que não sabia e que desconhece os fatos vinculados ao assassinato.

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