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    o impeachment

    Enquanto isso, em 1992

    Contra Collor, deputados votaram pelo esporte, os jovens e os filhos

    FELIPE BÄCHTOLD
    DE SÃO PAULO

    19/04/2016 02h00

    Lula Marques - 29.set.1992/Folhapress
    Parlamentares comemoram a decisão pelo impeachment de Fernando Collor, em Brasília, DF. (Brasília, DF, 29.09.1992. Foto de Lula Marques/Folhapress)
    Parlamentares comemoram a decisão pelo impeachment de Fernando Collor, em 1992

    "Pela minha esposa, pelo esporte brasileiro e pelo Paraná, sim." "Pela classe médica, sim". "Pela reconstrução nacional, não".

    Se as justificativas inusitadas ditas no plenário são parecidas com as declaradas na Câmara no domingo (17), o clima durante a votação do impeachment de Fernando Collor em setembro de 1992 foi muito mais sóbrio.

    Com o franco favoritismo do "sim" ao afastamento, a sessão de 24 anos atrás teve menos bate-boca e discussões. Nenhum deputado teve a ideia de trazer faixas, cartazes e confetes, como ocorreu durante a votação que abriu caminho para a saída de Dilma Rousseff.

    Ainda assim, não faltaram menções nos breves discursos à "família" e a pequenas cidades das bases eleitorais dos deputados.

    A exemplo do que ocorreria sucessivamente na sessão deste fim de semana, o então deputado José Augusto Curvo (PL-MT) citou a "dignidade da família" e até seu filho Rodolfo antes de votar sim.

    Quem lembrou do "esporte brasileiro" foi Onaireves Moura (PTB-PR), então presidente da Federação Paranaense de Futebol e que era considerado um voto certo favorável a Collor.

    Um colega dele mencionou "a querida cidade de Monsenhor Paulo", em Minas, e outro declarou que votava sim "pelos meus amigos do Rio de Janeiro".

    Símbolo das manifestações que pressionaram Collor, o movimento dos "caras pintadas" (jovens com o rosto pintado em protesto) também foi lembrado pelos congressistas.

    A votação levou cerca de duas horas –o equivalente a um terço da duração neste domingo, que se estendeu durante seis horas.

    A ordem de votação era alfabética, mas Roberto Campos (PDS-RJ) foi o primeiro a se manifestar no plenário por motivos de saúde.

    Logo após o voto decisivo, em que a aprovação da proposta foi definida, a sessão foi interrompida para que os deputados cantassem juntos o Hino da Independência em comemoração.

    A transmissão da TV mostrava nas galerias políticos sem mandato que compareceram ao Congresso para acompanhar a definição, como o então presidente do PT Luiz Inácio Lula da Silva, e o ex-governador paulista Orestes Quércia.

    Governadores, como Ciro Gomes (CE) e Jader Barbalho (PA), também estiveram nas galerias. O maranhense Edison Lobão foi cumprimentado por Lula logo depois da confirmação do resultado.

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