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    o impeachment

    PT se divide sobre reação a crises de presidente interino, Michel Temer

    MARINA DIAS
    GABRIEL MASCARENHAS
    DE BRASÍLIA

    29/05/2016 02h00

    A primeira grande crise no núcleo do governo interino de Michel Temer expôs divisões internas no PT sobre o caminho que o partido deve seguir caso o peemedebista naufrague e a volta de Dilma Rousseff ao Planalto se torne uma possibilidade –hoje improvável.

    Publicamente, dirigentes petistas têm discursado contra o que chamam de "golpe". Nos bastidores, porém, o sentimento é de dúvida. Integrantes da cúpula da legenda admitem que o retorno de Dilma não seria necessariamente bom para o PT ou para o ex-presidente Lula.

    A avaliação é que, de volta ao Planalto, Dilma não teria governabilidade nem respaldo popular, o que desgastaria ainda mais a imagem do partido e de Lula.

    O ex-presidente, por sua vez, ora defende que a sigla foque a reformulação de sua agenda e a articulação da esquerda, ora prega que, caso retome a presidência, Dilma convoque novas eleições.

    O novo pleito, porém, não é unanimidade no comando petista. O único consenso entre os que conversam com Lula é que ele não vê chances de a presidente afastada se manter no cargo até 2018.

    Mesmo assim, a ordem pública de Lula é trabalhar para reverter até 12 votos no Senado. Na terça (24), ele viajou a Brasília para um jantar com a sucessora e petistas no qual avaliou o impacto de gravações que mostram Romero Jucá sugerindo um "pacto" para "estancar a sangria" da Lava Jato.

    O episódio, que rendeu a Temer a queda de seu ministro em apenas 12 dias de governo, conferiu a parlamentares do PT um "otimismo moderado".

    O partido, no entanto, enfrenta dificuldades para travar esse debate. Além da falta de consenso, há uma preocupação em não deixar prosperar a tese de que abandonou Dilma à própria sorte.

    Em maio, 55 senadores votaram pela admissibilidade do impeachment. Para que Dilma seja afastada definitivamente, são necessários 54 votos.

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