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    Lava Jato

    Odebrecht listou quatro deputados que criticaram corrupção em voto do impeachment

    PAULA REVERBEL
    DE SÃO PAULO

    13/12/2016 17h00 - Atualizado às 20h56

    Luis Macedo/Câmara dos Deputados
    O deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA), citado na delação da Odebrecht
    O deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA), citado na delação da Odebrecht

    A planilha da Odebrecht que detalha pagamentos de propina a políticos contém o nome de quatro deputados federais que criticaram corrupção durante a votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

    Dos quatro, três foram favoráveis ao impeachment: Antônio Imbassahy (PSDB-BA), Duarte Nogueira (PSDB-SP) e José Carlos Aleluia (DEM-BA). Contra o impeachment, Daniel Almeida (PC do B-BA), também foi listado pela empreiteira e se opôs a corrupção na sessão que apreciou o impeachment.

    A relação de políticos que receberam pagamentos da empreiteira em troca de vantagens faz parte da delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, que ainda não foi homologada.

    De acordo com informações da Operação Lava Jato, Imbassahy recebeu R$ 300 mil na campanha de 2014. Ao proferir o seu voto favorável à saída de Dilma, ele equiparou o voto contra o impeachment em uma parceria com "um governo do retrocesso, do vale-tudo, mergulhado na corrupção".

    De acordo com o que afirmou o parlamentar na ocasião, "corrupção não se compara, corrupção se pune".

    Imbassahy foi escolhido pelo presidente Michel Temer para assumir a Secretaria de Governo, em uma tentativa aumentar o espaço do PSDB na gestão. Ele ocupará o lugar do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que deixou o governo após ser envolvido em uma crise política.

    Mais sucinto, Duarte Nogueira, prefeito eleito de Ribeirão Preto (SP), disse que o Brasil não aguenta mais "mentiras, impunidade e corrupção" e que seus pais lhe "ensinaram valores e princípios".

    Já Aleluia, ao proferir o seu voto, disse que Dilma "não é honrada" e que ela "roubou na refinaria, roubou na PETROBRAS e roubou em Belo Monte".

    Do outro lado do espectro ideológico, Almeida se dirigiu ao então presidente da Câmara e falou em uma "conspirata de corruptos liderada por vossa excelência, deputado Eduardo Cunha".

    OUTRO LADO

    Procurado, José Carlos Aleluia disse que não recebeu nada que não fosse legal e que colocou toda prestação de contas e explicação acerca das doações em sua página no Facebook.

    Duarte Nogueira afirmou por meio de nota que todas as doações recebidas em suas campanhas eleitorais foram regularmente declaradas e aprovadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e disse serem prematuras especulações em torno de delações ainda não homologadas.

    Antonio Imbassahy enviou nota dizendo que Cláudio Melo Filho afirmou que as doações a ele foram declaradas e o próprio delator apresentou os recibos da Justiça Eleitoral. Apontou que Melo Filho também disse que fez a doação sem que houvesse um pedido do deputado, numa tentativa de aproximação da empreiteira pelo fato de Imbassahy ser político influente da Bahia.

    A Folha não obteve resposta de Daniel Almeida até a publicação desta reportagem.

    -

    Sérgio Lima/Folhapress
    • Deputado: Antônio Imbassahy (PSDB-BA), líder tucano na Câmara
    • Voto: A favor do impeachment
    • Apelido: Não tem
    • Quanto recebeu, segundo delator: R$ 300 mil na campanha de 2014

    Frases na votação do impeachment:

    Cada um dos Deputados teremos a oportunidade de escolher de que forma nossos filhos e netos irão se referir a nós: com orgulho, por termos dado ao Brasil a chance de um recomeço; ou com vergonha, por vê-los transformados em sócios de um Governo do retrocesso, do vale-tudo, mergulhado na corrupção.

    (...) Cada um terá a oportunidade de escolher o que irá dizer aos milhões de brasileiros que perderam seus empregos, que penam por atendimento médico, que veem a redução dramática dos recursos da educação, enquanto bilhões de reais se foram na corrupção sistêmica e desenfreada. E corrupção não se compara, corrupção se pune!

    (...) É chegada a hora de decidir: que Brasil os brasileiros que estão lá fora merecem? (...) O Brasil governado por uma presidente que permitiu que o maior escândalo de corrupção do planeta se desenvolvesse debaixo do seu nariz e nada fez, mesmo tendo todas as informações? O Brasil governado por uma presidente que não respeita as instituições, a imprensa livre e que trama para obstruir as investigações da Lava Jato e proteger o ex-presidente Lula?

    *

    Edson Silva/Folhapress
    • Deputado: Deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), eleito prefeito de Ribeirão Preto
    • Voto: A favor do impeachment
    • Apelido: Corredor
    • Quanto recebeu, segundo delator: R$ 350 mil na campanha de 2010 e R$ 300 mil na campanha de 2014

    Frase na votação do impeachment:

    Pelo reencontro deste país maravilhoso com a sua esperança, porque não aguenta mais tanta afronta à Constituição, mentiras, impunidade e corrupção; pela minha família, meus filhos e meus pais, que me ensinaram valores e princípios; pelos paulistas, em especial os da minha terra natal; e pelos brasileiros, eu voto "sim", pelo impeachment.

    *

    Luis Macedo/Câmara dos Deputados
    • Deputado: Deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA)
    • Voto: A favor do impeachment
    • Apelido: Missa
    • Quanto recebeu, segundo delator: R$ 300 mil na campanha de 2010 e recebeu R$ 280 mil na campanha de 2014

    Frase na votação do impeachment:

    Eu estou votando "sim" pelos crimes que Dilma cometeu e não é só por ter passado cheque sem fundo em nome do povo brasileiro. Ela roubou na refinaria, roubou na Petrobras e roubou em Belo Monte. Ela não é honrada.

    *

    Divulgação/Facebook
    • Deputado: Deputado Daniel Almeida (PC do B-BA)
    • Voto: Contra o impeachment
    • Apelido: Comuna
    • Quanto recebeu, segundo delator: R$ 100 mil na campanha de 2010 e R$ 300 mil na campanha de 2014

    Frase na votação do impeachment:

    Estamos diante de uma situação surreal: a presidenta, sobre quem não pesa nenhuma denúncia de nenhum ato ilícito, tem o seu mandato ameaçado por uma *conspirata de corruptos liderada por vossa excelência, deputado Eduardo Cunha,* que não dignifica a cadeira que ocupa.

    (...) O povo que foi às ruas não pediu e não quer um governo com esse perfil, com essa agenda. Qual seria a agenda desse governo, que já está maculado pela mancha da ilegitimidade? É a agenda do futuro? Não, é um túnel para o passado, é a agenda do retrocesso, a agenda do Estado Mínimo. É a agenda, como muitos já desconfiam por aí, de um pacto para impedir que corruptos, como o que senta nessa cadeira e outros desta Casa, possam ser punidos.

    (...) Falam que já se vislumbra um entendimento em torno da Lava Jato. Será esse o governo que dará a tranquilidade aos brasileiros?

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