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    Sérgio Cabral vira réu na Lava Jato sob acusação de corrupção no Comperj

    ESTELITA HASS CARAZZAI
    DE CURITIBA

    16/12/2016 12h09 - Atualizado às 15h42

    Geraldo Bubniak/Agencia O Globo
    Ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral é levado à carceragem da PF em Curitiba
    Ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral é levado à carceragem da PF em Curitiba

    O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) virou réu da Operação Lava Jato, sob acusação de corrupção nas obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro).

    O juiz Sergio Moro aceitou a denúncia apresentada pela força-tarefa nesta sexta (16).

    Além dele, também são réus sua mulher, a advogada Adriana Ancelmo; o empresário Carlos Emanuel Miranda, tido como o operador de Cabral; Wilson Carlos Carvalho, ex-assessor do peemedebista, e sua mulher Mônica Araújo Carvalho; e os executivos da Andrade Gutierrez, Rogério Nora de Sá e Clóvis Peixoto Primo.

    Esta é a segunda vez que Cabral é denunciado por corrupção -ele já é réu no Rio de Janeiro, sob acusação de receber propina em obras estaduais como o Arco Metropolitano, a reforma do estádio do Maracanã e a reurbanização da favela de Manguinhos.

    Preso preventivamente há um mês, o político é acusado de ter recebido R$ 2,7 milhões em dinheiro pelo contrato de terraplanagem do Comperj, obra da Petrobras.

    O pagamento foi solicitado pelo próprio governador, numa reunião no Palácio da Guanabara, em 2008, segundo a denúncia. O valor corresponde a 1% do total que a Andrade Gutierrez recebeu pela obra.

    Segundo o Ministério Público, os valores foram usados na compra de artigos de alto valor, como roupas de grife, móveis de luxo e blindagem de automóveis. O dinheiro pagou até vestidos de festa da ex-primeira-dama .

    Só em roupas da grife Ermenegildo Zegna, Cabral gastou quase R$ 245 mil. Em blindagem de carros, foram R$ 58 mil.

    Essas compras eram realizadas com pequenos depósitos em espécie, abaixo de R$ 10 mil -uma clássica técnica de lavagem de dinheiro, de acordo com os procuradores.

    Os executivos da empreiteira Andrade Gutierrez, também réus, admitiram o pagamento em delações premiadas.

    "Há, em cognição sumária, provas decorrentes de depoimentos de criminosos colaboradores, conjugados com algumas provas de corroboração e que indicam a cobrança e o pagamento da vantagem indevida", escreveu Moro em sua decisão.

    OUTRO LADO

    Em nota, a defesa de Sérgio Cabral afirmou que "demonstrará no processo a total improcedência da acusação", e questionou a competência da Justiça Federal do Paraná.

    "Estranha o oferecimento de uma denúncia sobre os mesmos fatos que estão sendo apurados no Superior Tribunal de Justiça, havendo clara usurpação da competência deste tribunal", informou o escritório do defensor Ary Bergher.

    Em depoimento recente à polícia, o ex-governador disse que as acusações contra si são "uma mentira absurda" feita para "salvar delações", e negou qualquer tipo de envolvimento na cobrança de propina.

    A Andrade Gutierrez informou que não irá se manifestar sobre a denúncia.

    A Folha ainda não conseguiu contato com os advogados dos demais acusados.

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