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    Indicação de Alexandre de Moraes vai aprofundar racha dentro do PSDB

    IGOR GIELOW
    DE SÃO PAULO

    07/02/2017 02h00

    Luciano Amarante - 17.jun.2016/Folhapress
    SÃO PAULO, SP - 17.06.2016: POSSE DO PROCURADOR GERAL GIANPAOLO POGGIO - O ministro da Justiça Alexandre de Moraes e o governador de SP Geraldo Alckmin, participam de solenidade de posse do Procurador-Geral de Justiça Gianpaolo Poggio Smanio, no Auditório Rui Barbosa na Universidade Mackenzie. (Luciano Amarante/Folhapress)
    Alexandre de Moraes, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em evento em 2016

    A indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal aprofunda a divisão entre os grupos que comandam o PSDB, principal parceiro do PMDB no condomínio governista.

    Moraes era o nome do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) na gestão Michel Temer (PMDB). A tendência é a de não haver nenhum representante do tucano, que vem defendendo uma distância maior do poder central.

    A posição é oposta à do grupo liderado pelo senador Aécio Neves (MG) e pelo chanceler José Serra (SP). Antigos rivais, eles se uniram para enfrentar a pretensão de Alckmin de ser candidato a presidente pela legenda em 2018.

    Trabalharam por mais espaço no governo, algo sacramentado na entronização do deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) na estratégica Secretaria de Governo.

    Ao fim, Moraes se sentia desprestigiado por Alckmin no curso da crise penitenciária de janeiro, sendo abordado pelo consórcio Aécio/Serra –que comemorava na segunda (6) sua indicação.

    O grupo também nega que algum de seus caciques, como o senador Antonio Anastasia (MG), possa ir para a Justiça. O motivo é o fato de que a Justiça é vista como um "ministério de pepinos": cuida de segurança pública, lida com pressões ligadas à Lava Jato e não tem retorno garantido em forma de voto.

    A aposta dessa porção do tucanato é de que o partido estará mais bem posicionado em 2018 com Temer, no caso de a economia se recuperar.

    Presidente da sigla, Aécio quer repetir 2014 e ser candidato em 2018. Para aliados, Serra também gostaria de ver seu nome na urna, mas o governo paulista talvez seja uma postulação mais viável.

    Toda essa dança desconsidera o impacto das citações a todos esses tucanos na Lava Jato, ainda incógnita.

    Já Alckmin joga cada vez mais sozinho. Aliados dele apostam que sobreviverá à Lava Jato, e não teria a associação com o PMDB enrolado para justificar em 2018.

    Por ora, aposta as fichas no sucesso de João Doria na prefeitura paulistana –o que pode lhe garantir um candidato forte para o Palácio dos Bandeirantes. Já uma eventual ida para o PSB é vista por rivais mais como ameaça do que como plano concreto.

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