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    Lava Jato

    Sem citar JBS, Temer grava vídeo em que cobra punição a criminosos

    DANIEL CARVALHO
    DE BRASÍLIA
    THAIS ARBEX
    DO PAINEL

    18/06/2017 21h00

    Pedro Ladeira/Folhapress
    Em vídeo ainda inédito, Temer defenderá punição de quem deve, em referência a Joesley Batista
    Em vídeo ainda inédito, Temer defenderá punição de quem deve, em referência a Joesley Batista

    Na véspera de embarcar para viagem oficial de quatro dias por Rússia e Noruega, e na expectativa de ser denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) nos próximos dias, o presidente Michel Temer gravou neste domingo (18) um vídeo em que, sem citar diretamente o empresário Joesley Batista, sócio do grupo J&F, defende punição a quem cometeu crimes.

    O vídeo de cerca de quatro minutos será divulgado na tarde desta segunda-feira (19) nas redes sociais. Oficialmente, o material aborda a viagem do presidente, que embarca no final da manhã e buscará aprofundar relações comerciais. Segundo pessoas que acompanharam a gravação, Temer fala de encontros com o empresariado e com autoridades europeias e se compromete com as reformas que, segundo o governo, combatem privilégios.

    Mas o presidente se posiciona também, de maneira indireta, em relação à crise política em que seu governo está imerso.

    Segundo a Folha apurou, Temer diz no vídeo que fará de tudo para que quem deve seja punido. É uma referência a Joesley Batista que gravou conversa com o presidente e, em entrevista à revista "Época" divulgada na sexta-feira (16), afirma que o peemedebista é o "chefe" de uma organização criminosa.

    "O Temer é o chefe da Orcrim [sigla para organização criminosa] da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique [Alves], [Eliseu] Padilha e Moreira [Franco]. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles", diz o empresário na entrevista.

    No sábado (17), Temer divulgou nota em informa que entrará, na segunda-feira (19), com ações civil e penal contra o empresário e que o governo "não será impedido de apurar" crimes praticados por Joesley. Os processos serão movidos por seus advogados.

    "Suas mentiras serão comprovadas e será buscada a devida reparação financeira pelos danos que causou, não somente à instituição Presidência da República, mas ao Brasil. O governo não será impedido de apurar e responsabilizar o senhor Joesley Batista por todos os crimes que praticou, antes e após a delação", diz o texto de sábado.

    Durante o final de semana, Temer recebeu a visita de alguns de seus ministros no Palácio do Jaburu.

    A avaliação de aliados do presidente é de que, com base nessas "mentiras", o acordo de delação premiada da JBS pode ser revisto.

    Um estrategista do Planalto qualifica Joesley Batista como "adversário ideal", pois tem um perfil que desagrada a opinião pública.

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