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    PSOL, petistas e movimento de sem-teto discutem plano para esquerda

    CATIA SEABRA
    DE SÃO PAULO

    20/06/2017 02h00

    Mauro Pimentel/Folhapress
    RIO DE JANEIRO, RJ, 04.03.2016: ENTREVISTA COM TARSO GENRO - Entrevista com o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, do PT, em sua casa no bairro de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. (Foto: Mauro Pimentel/Folhapress, FSP-FOTO) ***EXCLUSIVO FOLHA***
    O ex-ministro da Justiça, Tarso Genro, que participou da reunião

    Um grupo de petistas, dirigentes do PSOL e representantes de movimentos de esquerda se reuniu na tarde deste domingo (18) para traçar uma estratégia conjunta para a oposição.

    Realizada a convite do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), de Guilherme Boulos, e da Frente Povo Sem Medo, a reunião contou com a participação do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e do ex-ministro da Justiça Tarso Genro.

    Embora participantes neguem que o pós-Lula estivesse em pauta, ficou acertada a organização de debates públicos e via internet para elaboração de um programa de governo a partir do segundo semestre.

    Anteriormente defendida por movimentos de esquerda, a redação de uma plataforma comum já foi rechaçada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em duas reuniões, sob o argumento de que deve ser factível.

    Um dos participantes da reunião de domingo explica que o futuro da esquerda está atrelado ao destino de Lula e aos desdobramentos da Operação Lava Jato.

    Segundo outro participante, está em discussão um "programa mais à esquerda", que vá "além" dos governos petistas. A reforma do sistema tributário, uma auditoria do sistema da dívida e o controle da mídia são propostas em debate.

    O encontro invadiu a noite de domingo e reuniu em São Paulo dirigentes da chamada esquerda petista, de aberta oposição ao atual comando partidário. Desde o ano passado, esses descontentes discutem a possibilidade de sair do PT. Entre suas alternativas, estão a criação de um partido ao lado de Boulos e a migração para o PSOL. Boulos ainda não tem filiação partidária.

    No dia 2 de junho, o ex-presidente contrariou a esquerda petista ao pregar pragmatismo durante discurso de abertura do congresso partidário. Em tom professoral, Lula afirmou que, toda vez que se faz um discurso, "tem que chegar em casa e colocar na balança e saber se ele é exequível".

    Lula disse ainda que, para governar, é necessário fazer alianças com os eleitos.

    Incomodados, integrantes de correntes à esquerda intensificaram debates sobre a saída do PT. Não há, porém, consenso sobre que destino seguir. O resultado do congresso petista –que elegeu a nova direção partidária– também provocou fissuras no movimento de deputados federais que buscavam alternativas coletivas para o grupo.

    Presente ao encontro, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) limitou-se a dizer que foi "um bate-papo restrito sobre os rumos da esquerda".

    Segundo participantes, os dirigentes do PSOL pediram que o encontro não fosse divulgado para evitar mal estar com integrantes do partido excluídos do encontro. Também presente, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) não se manifestou.

    Segundo Tarso, houve um acordo para que a reunião não vazasse. Defensor da criação de uma frente de esquerda, o ex-ministro não tem participado mais das reuniões formais do PT. Ao comentar a reunião de domingo, limitou-se a dizer: "A minha agenda era discutir, e é uma nova frente".

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