• Poder

    Friday, 03-May-2024 18:13:58 -03

    Lava Jato

    Se perícia não apontar adulteração, 'preocupará', diz advogado de Temer

    THAIS BILENKY
    DE SÃO PAULO

    22/06/2017 22h34 - Atualizado às 22h46

    Marlene Bergamo - 7.jun.2017/Folhapress
    PODER - O Presidente Michel Temer durante cerimonia de lançamento do Plano Agricola e Pecuario de 2017/2018. Enquanto isso ocorria a segunda sessão do julgamento da cassação da chapa Dilma/Temer - 07/06/2017 - Foto - Marlene Bergamo/Folhapress - 017 -
    O presidente Michel Temer

    O advogado Antônio Claudio Mariz de Oliveira, que defende Michel Temer (PMDB), afirmou nesta quinta-feira (22) que, se a perícia da Polícia Federal não apontar adulteração na gravação que o empresário Joesley Batista fez do presidente, "preocupará".

    "Se a perícia não mostrar nada, fica difícil", afirmou. Mariz afirmou que o laudo contratado pela defesa de Temer, e os publicados pela Folha e o jornal "Estado de S.Paulo" permitem afirmar que a fita é "falseada, adulterada".

    Em palestra na Casa do Saber, em São Paulo, Mariz criticou o STF (Supremo Tribunal Federal) por ter formado maioria no sentido de validar a delação premiada da JBS, que para ele violou a lei ao conceder perdão a Joesey e outros executivos.

    "Me espanta que o Supremo tenha lavado as mãos", afirmou o advogado. Ele disse que não se surpreendeu com a permanência do ministro Edson Fachin na relatoria do caso.

    Mariz fez críticas ao acordo celebrado com a JBS, que segundo ele concedeu impunidade como prêmio aos delatores sem que o Ministério Público tenha atribuição para isso.

    Ao se referir ao áudio que Joesley fez de Temer, disse com ironia: "O presidente da República que se dane! Estamos diante de um estado de anomia social, de absoluta falta de regras".

    Mariz atacou o uso da pena de prisão no combate à corrupção em vez de multa e defendeu medidas preventivas. "Empresários estão sendo presos. Ingênuo de quem achar que corrupção acabou, ingênuo de quem pensa que não se tenta mais levar vantagem."

    O advogado não poupou críticas ao Judiciário, ao Ministério Público, à imprensa e à sociedade por uma sanha punitivista. "Parece que se a Justiça inocenta, não fez justiça", disse.

    Mariz voltou a criticar a Lava Jato.

    "A Lava Jato vai acabar, um dia ela termina, mas o efeito imediato é terrível. Os juízes jovens querem ser os novos Moros [em referência a Sergio Moro], acham que são combatentes do crime, um grande erro", afirmou. "A sociedade precsia ser alertada de que um dia precisará de princípios."

    "Hoje me preocupei muito com a decisão do Supremo ao dizer que delação premiada não pode ser anulada. Na verdade, o Supremo está se despojando de um direito-obrigação que ele tem, que é o de dizer o Direito."

    Edição impressa

    Fale com a Redação - leitor@grupofolha.com.br

    Problemas no aplicativo? - novasplataformas@grupofolha.com.br

    Publicidade

    Folha de S.Paulo 2024