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    Lava Jato

    Ex-ministro passa senha errada de celular para a PF

    CAMILA MATTOSO
    DE BRASÍLIA

    08/09/2017 00h48

    Pedro Ladeira/Folhapress
    O ex-ministro Geddel Vieira Lima, que foi preso novamente pela Polícia Federal
    O ex-ministro Geddel Vieira Lima

    O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) passou senhas incorretas de seu celular para a Polícia Federal e se recusou a fornecer sua digital para que os investigadores acessassem o aparelho.

    O peemedebista teve o celular apreendido no dia 3 de julho, quando foi preso em Salvador em uma fase das fases da Operação Cui Bono.

    Desde então, os investigadores tentaram acessar o celular do ex-ministro de Michel Temer, modelo iPhone, mas não conseguiram.

    A senha foi solicitada em duas ocasiões, em que Geddel, por meio de seus advogados, forneceu alguns números, que não funcionaram.

    Chamado a prestar depoimento para esclarecer as suspeitas que lhe são atribuídas na Cui Bono, foi perguntado mais de uma vez pelos delegados, pessoalmente. E disse que havia passado a senha que recordava, mas que costumava acessar o aparelho colocando sua digital.

    A PF, então, apresentou o iPhone apreendido para que Geddel pudesse colocar seu dedo e, enfim, permitir o acesso aos dados. Ele, porém, se recusou, frustrando a expectativa de que as informações do celular fossem acessadas.

    Todos os episódios foram relatados no inquérito.

    Procurada, a defesa do ex-ministro afirmou que Geddel deu à PF a senha que tinha e que não poderia fazer mais comentários porque a investigação está em sigilo.

    CUI BONO

    A Cui Bono apura fraudes em liberações de empréstimos na Caixa Econômica Federal, estatal que o peemedebista chegou a ocupar a cadeira em uma das vice-presidências, de Pessoa Jurídica.

    Atualmente, o ex-ministro cumpre prisão domiciliar, após conseguir um habeas corpus na Justiça. A decisão de tirá-lo da cadeia condicionava o uso de tornozeleiras eletrônicas, mas elas não estão disponíveis na Bahia.

    Na última terça, a PF encontrou em um apartamento em Salvador um montante de R$ 51 milhões. O local, segundo investigação, era usado como "bunker" pelo peemedebista.

    COLABORAÇÃO

    A atitude de Geddel chamou a atenção também porque pouco antes de ser preso, sua defesa havia dito em manifestação por escrito ao STF (Supremo Tribunal Federal) que estava disponível para colaborar e que não havia nada a esconder.

    O ex-ministro chegou a colocar à disposição seus sigilos bancário e fiscal, na tentativa de evitar ser alvo de operações. Ele afirmou à corte que entregaria o passaporte e que abriria mão de realizar movimentações bancárias maiores do que R$ 30 mil, se comprometendo a avisar sobre operações acima desse valor.

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