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    PSDB tira Andrada de comissão, mas ele deve continuar relator de denúncia

    BRUNO BOGHOSSIAN
    TALITA FERNANDES
    DE BRASÍLIA

    05/10/2017 14h06 - Atualizado às 15h22

    Divulgação
    deputado Bonifacio Andrada (PSDB-MG)
    O deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), relator da denúncia contra Temer na CCJ

    O PSDB decidiu retirar da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) o deputado Bonifácio de Andrada (MG), escolhido para ser o relator da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. O parlamentar, entretanto, deve continuar na função e retornar ao colegiado em uma vaga cedida pelo PSC –partido da base do governo.

    A cúpula do PSDB se reuniu com Andrada no início da tarde desta quinta-feira (5). A sigla insistiu para que o deputado se licenciasse temporariamente do partido, para evitar que seu relatório —provavelmente favorável a Temer— fosse vinculado diretamente aos tucanos. Bonifácio mais uma vez recusou essa opção e respondeu que continuaria como relator do caso.

    Horas depois, o líder tucano na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), enviou ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o pedido de destituição de Andrada da comissão.

    "Temos a mais alta estima pelo deputado Bonifácio, mas ele sabe que nossa bancada está dividida e ponderamos que essa questão criaria uma dificuldade ao PSDB.

    O movimento tucano é uma maneira de tentar desvincular Andrada da sigla durante a votação da denúncia contra Temer –uma vez que o deputado deve entregar um parecer favorável ao presidente. O discurso do PSDB será o de que o partido trabalhou para retirá-lo da comissão e que ele só permaneceu na relatoria porque um partido aliado de Temer o indicou para o posto.

    DESCONFORTO

    Andrada manifestou desconforto com o episódio. "Essa é uma atitude da liderança do partido. Não tenho nenhuma participação nessa articulação", afirmou.

    Para justificar o episódio, o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse que Andrada não poderia ser substituído na relatoria do caso porque tem alto conhecimento jurídico.

    "Não existe outro nome na CCJ com esse conhecimento. Ele fica no partido, mas não virá a dividir o partido por ocupar uma vaga que é do PSDB", afirmou.

    Pacheco, que escolheu Andrada para a função, disse à Folha que o episódio é "lamentável". "Não serei eu a dar solução, pois ficará a critério de algum partido disponibilizar a vaga", afirmou.

    A reação do presidente da CCJ não agradou aos tucanos. Tripoli disse ter "dúvidas" em relação ao comportamento de Pacheco durante o episódio e diz que o PSDB não foi comunicado antecipadamente por ele sobre a escolha de Andrada para a relatoria da denúncia.

    Líderes da base governista afirmaram que o PSC deve ceder a vaga de suplente que ocupa na CCJ para que Andrada possa permanecer na comissão e apresente um relatório favorável a Temer. O relator deve ser indicado no posto atualmente ocupado pelo deputado Marco Feliciano (PSC-SP).

    Apesar do contratempo, Andrada continua trabalhando na elaboração do parecer sobre a denúncia. Ele pretende apresentar o relatório na próxima semana.

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