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    Advogados de Lula montam equipe para produzir vídeos para redes sociais

    CATIA SEABRA
    DE SÃO PAULO

    06/10/2017 02h00

    Reprodução
    Frames de videos produzidos pela defesa de Lula com os advogados Valeska Teixeira Martins e Cristiano Zanin.
    Reprodução de vídeos da defesa de Lula, feita pelos advogados Valeska Teixeira e Cristiano Zanin

    Invariavelmente insatisfeita com o espaço ocupado na imprensa, a assessoria jurídica do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem agora sua própria estrutura de comunicação.

    Desde maio, uma equipe de sete profissionais –incluindo roteirista, produtor e câmera– produz vídeos dedicados à defesa de Lula, direcionados sobretudo às redes sociais.

    Acomodada no 18º andar do edifício onde funciona o escritório Teixeira Martins, nos Jardins, a equipe alimenta as páginas "A Verdade de Lula" no Facebook e as do casal de advogados Cristiano Zanin e Valeska Teixeira Martins. Valeska é filha do advogado Roberto Teixeira, um dos amigos mais próximos do ex-presidente.

    Um fotógrafo/cinegrafista acompanha os advogados de Lula nas viagens para produção de imagens e declarações, a exemplo dos depoimentos prestados pelo ex-presidente ao juiz Sergio Moro na cidade de Curitiba.

    Os vídeos têm duração média de dois a cinco minutos e são produzidos em geral ao ritmo de um por dia.

    Têm linguagem que se aproxima da publicidade, com um locutor de voz grave rebatendo pontos das acusações contra o petista, além do uso de imagens de depoimentos e alguns grafismos.

    Em parte deles, a estrela é o próprio Zanin: de pé, olhando para a câmera, ele comenta pontos do processo. Mas já postou vídeos mais improvisados, feitos com celular, de dentro de um carro.

    O casal de advogados também apresentou uma série sobre "lawfare", tese jurídica abraçada pela defesa de Lula que aponta o uso da lei para perseguição política.

    Nos vídeos sobre "lawfare", há inspiração da estética de seriados policiais da TV americana, com vinheta de abertura e divisão em episódios.

    A maioria dos filmetes tem entre 5.000 e 20 mil visualizações, mas há picos de 200 mil em alguns casos.

    Para pôr de pé essa estrutura, o escritório contratou a empresa Somos3, inicialmente para um período experimental de três meses.

    A coordenação é da jornalista mineira Tatiana Chiari, que já foi repórter da revista "Veja" e da Rede Record, além de diretora da agência de comunicação FSB. Atualmente, sua empresa presta serviços pontuais a outras agências, como a Máquina Cohn & Wolfe, por exemplo.

    O foco são as redes sociais, mas vídeos de Zanin já foram encaminhados a emissoras como resposta a reportagens.

    NO EXTERIOR

    O escritório não informou quanto custa a estrutura.

    Além da equipe que cuida dos vídeos, os advogados contam também com um assessor de imprensa.

    Já para fazer a comunicação fora do Brasil, foi contratada uma empresa de relações públicas inglesa, a BLJ London.

    Em seu site, a empresa afirma se dedicar à administração de crises e a dar "conselhos estratégicos discretos".

    Diz ainda criar programas personalizados de comunicação e relações públicas. "Administramos reputações", afirma a companhia.

    A BLJ London lista entre seus clientes a The Walt Disney Company e o Principado de Mônaco.

    Sócio-gerente da empresa e CEO para Oriente Médio e Asia da BLJ World Wide, John Watts esteve no Brasil, em 10 de maio, para acompanhar o depoimento do ex-presidente a Moro.

    Sua contratação ocorreu por intermédio do advogado britânico Geoffrey Robertson, encarregado da defesa de Lula no exterior.

    TENDÊNCIA

    Procurado, o advogado Cristiano Zanin afirmou, em nota, que o "aprimoramento da área de comunicação é uma tendência mundial e uma necessidade dos escritórios de advocacia".

    "Nosso escritório segue essa tendência. Para isso, temos prestadores de serviço sem exclusividade que nos auxiliam na área", afirma.

    Sobre a atuação da defesa no exterior, Zanin diz que "Geoffrey Robertson é um dos maiores especialistas no mundo na área de direitos humanos".

    "E o nosso escritório trabalha com muita honra em causas com esse profissional", afirma.

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