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    Agência Lupa: Nova denúncia e mais equívocos de deputados na CCJ

    DA AGÊNCIA LUPA

    20/10/2017 02h00

    Pedro Ladeira - 10.out.2017/Folhapress
    BRASILIA, DF, BRASIL, 10-10-2017, 14h00: Reunião da CCJ da câmara, destinada a leitura do relatório sobre a denúncia do presidente Michel Temer pelo deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), na foto com o deputado Paulo Maluf (PP-SP). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    Os deputados Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) e Paulo Maluf (PP-SP) na CCJ na Câmara

    Antes da votação do relatório sobre a denúncia apresentada contra o presidente Michel Temer, na quarta-feira (19), os deputados cometeram mais equívocos nos debates:

    *

    * "O que Rodrigo Janot fez (...) nos investimentos (...) estrangeiros do Brasil não tem retorno."
    Paulo Maluf, deputado federal (PP-SP)

    FALSO
    Maluf tentou relacionar uma queda nos investimentos estrangeiros no Brasil à repercussão da delação dos irmãos Wesley e Joesley Batista, firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em maio deste ano.

    Mas os investimentos estrangeiros cresceram desde aquele mês. Segundo dados fornecidos pelo Banco Central (BC), em maio, o Brasil recebeu US$ 2,9 bilhões. Em junho, mesmo com a denúncia contra o presidente Michel Temer, os investimentos aumentaram em US$ 1 bilhão, totalizando US$ 3,9 bilhões. Em julho e agosto, entraram no país US$ 4,1 bilhões e US$ 5,1 bilhões, respectivamente. O impacto da segunda denúncia, oferecida no dia 14 de setembro, ainda não pode ser medido. O BC só possui dados até agosto. Procurado, Maluf não retornou.

    *

    * "As provas [da denúncia] são telefonemas e conversas."
    Darcísio Perondi, deputado federal (PMDB-RS)

    EXAGERADO
    A segunda denúncia contra Temer, apresentada pelo ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, possui outras provas além das gravações de conversas com outros investigados. Para acusar Temer de obstrução de justiça, por exemplo, a denúncia apresenta imagens de Roberta Funaro, irmã do operador Lucio Funaro, recebendo um pagamento das mãos de Ricardo Saud, executivo da JBS, em ação controlada da Polícia Federal, no dia 20 de abril. Segundo o operador, Temer teria dado aval aos pagamentos para que Funaro não fizesse acordo de delação com o MPF. Por meio de um mandado de busca e apreensão, também foi encontrado R$ 1,7 milhão em mochilas e bolsas na casa de Roberta Funaro.

    Ainda foram usados como indícios outros materiais apreendidos, como contratos assinados, depoimentos de outros réus arrolados na Lava Jato e imagens como a do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Temer, recebendo uma mala com R$ 500 mil em São Paulo. Procurado, o deputado não retornou.

    *

    * "97% do povo brasileiro não deseja ter mais Michel Temer como seu presidente."
    Alessandro Molon, deputado federal (Rede-RJ)

    Pedro Ladeira/Folhapress
    Deputados protestam contra votação favorável a Michel temer na CCJ da Câmara
    O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), na Comissão da Câmara

    EXAGERADO
    O Ibope divulgou em 29 de setembro uma pesquisa com a avaliação do governo do presidente Temer. Nela, 77% dos entrevistados avaliaram a administração do peemedebista como ruim ou péssima. Outros 16% classificaram como regular, e apenas 3% consideraram o governo como ótimo ou bom. Com relação a maneira de governar, 89% dos entrevistados disseram que não aprovam o modo como Temer tem conduzido o país. O instituto, porém, não questionou os entrevistados sobre a permanência do presidente no poder. Pesquisou somente como a população avalia o governo.

    A última pesquisa do Datafolha, em 2 de outubro, trouxe dados semelhantes. O instituto apontou que 73% da população considera o governo de Michel Temer como ruim ou péssimo. Outros 20% o avaliaram como regular e 5% classificaram o governo como ótimo ou bom. Procurado, Molon disse que estava se referindo à pesquisa do Ibope e que, em seu entendimento, "isto revela a total falta de apoio do presidente Michel Temer para continuar à frente da Presidência".

    *

    * "Havendo fortes indícios de que as gravações [entre Joesley Batista e Temer] foram alteradas e tiveram partes suprimidas."
    Bonifácio de Andrada, deputado federal (PSDB-MG)

    FALSO
    O laudo do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal concluiu que não houve edição nem adulteração na gravação. No documento, os peritos descreveram que o áudio é "consistente com a maneira em que se alega ter sido produzida". As 294 descontinuidades encontradas foram atribuídas aos momentos de pressão ou atrito no gravador que estava oculto nas roupas de Joesley. A polícia concluiu também que "não foram observados elementos que indiquem a existência de adulterações" no áudio. O deputado já tinha feito afirmação semelhante na sessão da Comissão de Constituição e Justiça que analisou a primeira denúncia contra Temer. Procurado, o deputado não retornou.

    *

    * "Ele [Eduardo Cunha] só está preso porque um partido entrou no Conselho de Ética dessa casa."
    Ivan Valente, deputado federal (PSOL-RJ)

    EXAGERADO
    O processo que tramitou no Conselho de Ética da Câmara para cassar o mandato do deputado Eduardo Cunha começou após representação do PSOL e da Rede em outubro de 2015. Depois disso, 46 parlamentares de outros cinco partidos somaram-se à representação inicial. Antes da conclusão do processo na Comissão de Ética, o STF suspendeu o mandato do deputado e, por consequência, da função de presidente da Câmara.

    O mandato do deputado só foi cassado em setembro do ano passado. A prisão preventiva foi ordenada pelo juiz Sergio Moro em outubro do ano passado. Procurado, Valente disse, por nota, que foi o PSOL que teve a iniciativa de entrar no conselho e elaborou o documento de representação. "A Rede reconheceu a importância do pedido e assinou o nosso pedido", informou.

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