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    Lava Jato

    Tasso lança candidatura a presidente do PSDB e terá discurso contra Temer

    BRUNO BOGHOSSIAN
    DE BRASÍLIA

    06/11/2017 02h00

    Mateus Bonomi - 24.out.2017/Folhapress
    BRASILIA, DF, BRASIL, 24-10-2017, 17h: Aécio Neves (PSDB-MG) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) durente sessão no plenário do Senado nesta terça-feira. (Foto: Mateus Bonomi/Folhapress, PODER)
    O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) no plenário

    Ao lançar sua candidatura à presidência do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) vai cobrar o desembarque do partido do governo Michel Temer já em dezembro. Ele também quer incluir no estatuto da sigla uma crítica formal a erros cometidos por tucanos.

    O nome de Tasso deverá ser colocado oficialmente na disputa nesta terça-feira (7) pela ala de deputados tucanos que defende o rompimento do PSDB com Temer.

    O senador cearense vai participar de uma reunião para discutir a disputa interna da legenda com os parlamentares e com o governador de Goiás, Marconi Perillo –que já anunciou que vai concorrer à presidência do partido.

    Tasso, que ocupa interinamente o comando do PSDB, defende que a sigla entregue seus quatro ministérios logo após a convenção que vai escolher a nova cúpula tucana, no dia 9 de dezembro.

    Ele também encomendou um novo estatuto que contenha uma autocrítica e estabeleça normas para filiados e dirigentes da sigla. O senador quer criar regras de conduta ética e legal, e contratar uma auditoria para verificar a aplicação desse programa.

    Os planos de Tasso de concorrer à presidência do PSDB escorado nessa plataforma foram reforçados depois da publicação do artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no jornal "O Globo", em que ele defende o desembarque do governo Temer em dezembro e uma autocrítica dentro da sigla.

    O movimento tem o respaldo do governador paulista, Geraldo Alckmin, pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PSDB. Seus auxiliares afirmam que o partido precisa se distanciar de Temer e reduzir a contaminação pelos fatos revelados pela Lava Jato que envolvem o partido –inclusive o próprio Alckmin.

    As teses de Tasso enfrentam resistências no grupo do PSDB alinhado ao senador Aécio Neves (MG), afastado do comando do partido desde que foi flagrado em gravações pedindo dinheiro a Joesley Batista, em maio.

    Essa ala rejeita o desembarque imediato porque Aécio fortaleceu suas pontes com Temer nos últimos meses e bancou a permanência dos quatro ministros tucanos em seus cargos. O grupo também repudia a autocrítica porque considera que o senador mineiro é o principal alvo desse movimento.

    Os aecistas se opõem a Tasso e apoiam a candidatura de Perillo ao comando do PSDB. Na última semana, o governador goiano adotou um tom conciliador e defendeu um "desembarque educado" do governo, mas ainda não aderiu totalmente à autocrítica.

    Aliados de Tasso admitem que ele pode buscar uma composição com Perillo se o governador adotar os dois pontos em sua candidatura.

    Tucanos que se opõem ao desembarque evitaram criticar FHC, mas rebateram a entrega imediata dos cargos.

    "Não vejo relevância política em sair do governo em dezembro ou março. Em vez de consumir energias com a luta interna, o partido deveria construir uma visão de futuro para o Brasil", disse o deputado Marcus Pestana (MG).

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