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    Lava Jato

    Cunha confirma que marcou reunião entre Funaro e Moreira Franco

    FÁBIO FABRINI
    REYNALDO TUROLLO JR.
    DE BRASÍLIA

    06/11/2017 10h38 - Atualizado às 13h39

    O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que presta depoimento à Justiça Federal em Brasília nesta segunda (6), disse que marcou uma audiência em 2010 entre o operador Lúcio Funaro e o ministro Moreira Franco, à época vice-presidente da Caixa, mas que, diferentemente do que Funaro delatou, ele não recebeu propina por essa intermediação.

    Cunha também disse que Funaro não esteve com o presidente Michel Temer nas três ocasiões que o operador mencionou em seus depoimentos –num culto evangélico, num comício em Uberaba (MG) e na base aérea de São Paulo.

    No início do interrogatório, Cunha adiantou que vai rebater cada ponto da delação de Funaro, fechada em setembro com a PGR (Procuradoria-Geral da República), e que não responderá às perguntas da defesa do delator.

    Na semana passada, Funaro disse em seu depoimento que houve uma reunião com Moreira Franco na Caixa, intermediada por Cunha, para tratar de assuntos de interesse do grupo Bertin.

    "Se Moreira Franco recebeu [propina], e se tratando do Moreira Franco até não duvido, não foi através das minhas mãos", disse Cunha ao juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal, onde o ex-deputado é réu em uma ação penal sobre desvios no fundo de investimentos do FGTS, administrado pela Caixa.

    Lula Marques - 28.abr.2010/Folhapress
    BRASÍLIA, DF, BRASIL 28-04-2010 13h40: A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das ONGs, no Senado Federal, ouve Lúcio Bolonha Funaro (foto), corretor de câmbio que intermediou operações para dirigentes da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop). Local: Sala 2 da Ala Nilo Coelho. Politica. Foto: Lula Marques / Folha imagem. *** FOTO EM ARTE E NÃO INDEXADA ***
    O corretor de valores Lúcio Funaro em depoimento a CPI em 2010

    Cunha disse que não participou da reunião entre Funaro e Moreira Franco e não sabe o que foi conversado. Confirmou também que recebeu doações oficiais do grupo Bertin na campanha de 2010, mas que elas não tinham relação com negócios na Caixa ou com o agendamento da reunião.

    "Marcar uma audiência não significa que sou partícipe do fato", disse Cunha.

    Sobre as três ocasiões que Funaro relatou ter estado com Temer –à época vice-presidente–, Cunha disse que o delator mente.

    "Não há possibilidade de ele [Funaro] ter cumprimentado [Temer]. Na minha frente, nunca cumprimentou Michel Temer, nem isso aconteceu", disse.

    Cunha afirmou que a última vez que esteve com Funaro, com quem admitiu fazer operações financeiras desde 2003, foi em 7 de novembro de 2015, quase um mês antes de a Polícia Federal fazer uma busca e apreensão na casa do operador.

    Tanto Cunha como Funaro estão presos atualmente na Papuda, em Brasília.

    O ex-deputado também disse que Moreira Franco –que depôs na ação sobre desvios na Caixa como testemunha– mentiu ao dizer que não pediu doações a empresas para a campanha do PMDB em 2010.

    Segundo Cunha, Moreira Franco disse que não conhecia o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, em 2010, quando, na verdade, os três se reuniram naquele ano. "[Moreira Franco] Mentiu e eu sou testemunha da mentira", disse Cunha.

    Em nota, Moreira Franco afirmou que não conhece Funaro e jamais se reuniu com ele. "Sobre Cunha, são notórias as divergências políticas entre eu e o ex-deputado, portanto, não me surpreende qualquer juízo de valor", afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

    Trecho depoimento Cunha

    GEDDEL

    Questionado sobre o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que também foi vice-presidente da Caixa, Cunha disse que foi o responsável por apresentá-lo a Funaro. Geddel está preso depois que a Polícia Federal encontrou em Salvador (BA) um apartamento com R$ 51 milhões em dinheiro vivo atribuído a ele.

    Segundo Cunha, depois de apresentar os dois, Geddel e Funaro passaram a se relacionar por conta própria.

    Em resposta a uma pergunta do procurador da República Anselmo Lopes, Cunha disse que quem indicou Geddel para uma vice-presidência na Caixa foi o Temer.

    Por fim, Cunha disse não saber quem eram os donos dos R$ 51 milhões apreendidos pela PF. "Não sei, não tenho o dom da adivinhação", disse ao procurador.

    Trecho depoimento de Cunha

    'ENAMORADO'

    Cunha se isentou de responsabilidades na nomeação do ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias Fábio Cleto, também réu na ação e delator. Cleto é apontado como apadrinhado de Cunha no banco.

    Segundo o ex-deputado, Cleto era um funcionário de menor escalão do banco Itaú e, por isso, era a terceira opção do PMDB para o cargo na Caixa. Cunha atribuiu ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega a nomeação de Cleto.

    "O Mantega o entrevistou, se enamorou das qualidades [de Cleto]. Acordamos um dia com o 'Diário Oficial' e ele saiu nomeado", disse Cunha.

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