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    Lava Jato

    Ex-ministro Henrique Alves chora e diz que terceiros movimentaram sua conta

    FÁBIO FABRINI
    REYNALDO TUROLLO JR.
    DE BRASÍLIA

    06/11/2017 18h29

    Frankie Marcone/Futura Press/Folhapress
    O ex-deputado Henrique Eduardo Alves, preso pela Polícia Federal em 6 de junho
    O ex-deputado Henrique Eduardo Alves, preso pela Polícia Federal em 6 de junho

    O ex-presidente da Câmara e ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) chorou ao depor à Justiça nesta segunda-feira (6) e reafirmou que uma conta na Suíça aberta por ele em 2008 foi movimentada por terceiros sem seu conhecimento.

    Alves é réu em ação na 10ª Vara Federal em Brasília, acusado de receber US$ 833 mil em 2011 em uma conta em um banco na Suíça. O dinheiro, de acordo com o Ministério Público, foi desviado do fundo de investimentos do FGTS, administrado pela Caixa.

    Além de Alves, são réus na mesma ação o corretor de valores Lúcio Funaro, que se tornou delator, e o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) –que também depôs nesta segunda e negou ter recebido propina.

    "Eu aguardei muito este momento para dizer: esta conta, nunca recebi sequer nenhuma referência, nenhuma extrato, nenhuma correspondência, nem a sua senha", disse Alves ao juiz federal Vallisney Oliveira.

    "Foi aí [após as investigações] que descobrimos um depósito em um ano, em outro ano. Completamente à minha revelia", afirmou.

    O ex-ministro chorou quando falou de sua família, especialmente de seu pai, e disse que era o único deputado na Câmara eleito pelo Rio Grande do Norte, um Estado pequeno e pouco representado. O juiz pediu que Alves se acalmasse e bebesse água. "Desculpa, é a emoção", respondeu.

    Em manifestação no processo, a defesa de Alves já havia confirmado que ele abriu a conta no exterior, mas desistiu de movimentá-la devido a questões burocráticas. O ex-ministro não disse quem teria movimentado a conta em seu lugar.

    Em seguida, Alves foi indagado pelo procurador da República Anselmo Lopes, sobre suas relações com Cunha e Funaro, mas não quis responder às perguntas e ficou em silêncio.

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