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    Lava Jato

    Delatores são perseguidos por dizerem a verdade, afirma Wesley Batista

    CAMILA MATTOSO
    DE BRASÍLIA

    08/11/2017 11h41 - Atualizado às 11h53

    O delator Wesley Batista, sócio da JBS, afirmou em depoimento à CPI que delatores estão sendo perseguidos "pelas verdades que disseram".

    Preso desde o início de setembro, o empresário disse, no entanto, que não se arrepende de ter virado um colaborador da Justiça.

    Wesley falou por cerca de dois minutos, mas anunciou a senadores e deputados que ficaria em silêncio e não responderia a perguntas durante a sessão desta quarta-feira (8).

    "O que vejo nesse momento são colaboradores sendo punidos, perseguidos pelas verdades que disseram", afirmou o executivo, chamando o momento pelo qual o país passa de "retrocesso".

    "As delações dos últimos anos fizeram o país se olhar no espelho. Mas como ele não gostou do que viu, o resultado tem sido esse: colaboradores presos, delatados soltos", disse.

    Ele, o irmão Joesley Batista e mais cinco diretores da JBS firmaram em maio um acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria Geral da República), com a garantia de imunidade.

    Wesley, porém, foi preso acusado de ter se aproveitado da colaboração para lucrar no meio de uso de informações privilegiadas no mercado.

    Joesley e o diretor Ricardo Saud também foram presos, acusados de omitir informações durante o processo de colaboração.

    "Estou sendo preso por um crime que jamais cometi. Jamais descumpri o acordo de colaboração celebrado com o MPF", disse Wesley.

    Wesley disse também ter descoberto que o processo de se tornar delator é "imprevisível e inseguro".

    PERGUNTAS

    Mesmo declarando que ficaria em silêncio, a CPI da JBS decidiu que ele teria de ficar na sessão até o final.

    Alguns parlamentares chegaram a fazer perguntas, que foram todas respondidas da mesma forma: "vou permanecer calado".

    Deputados e senadores questionaram Wesley sobre a participação do ex-procurador Marcello Miller no processo de delação premiada.

    A Folha revelou nesta quarta um e-mail que mostra orientações de Miller de como a JBS deveria se portar em reuniões com a PGR.

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