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    Lava Jato

    Delator diz que Humberto Costa recebeu propina no Ministério da Saúde

    ITALO NOGUEIRA
    DO RIO

    08/11/2017 11h55 - Atualizado às 13h48

    Beto Barata/Agência Senado
    Plenário do Senado durante sessão deliberativa extraordinária que decidirá pela aprovação ou rejeição do relatório favorável à admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em discurso, senador Humberto Costa (PT-PE).
    O senador Humberto Costa (PT) durante sessão do Senado

    O ex-subsecretário de Saúde do Rio César Romero afirmou nesta quarta-feira (8) que o senador Humberto Costa (PT) recebia propina do empresário Miguel Iskin, que atua no setor de próteses e equipamentos médicos. As vantagens indevidas foram pagas, segundo o relato, durante o período em que o petista ocupou o cargo de ministro da Saúde, entre 2003 e 2005.

    Romero firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal e prestou depoimento em ação penal que apura o desvio de R$ 16 milhões na Secretaria de Saúde do Rio durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).

    Ele disse que o esquema implantado na secretaria estadual reproduziu o que já havia funcionado no Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia) a partir de 2002, período em que o ex-secretário Sérgio Côrtes ocupou o cargo de diretor. A propina paga a Costa teria ocorrido nesse período.

    "Eu soube de alguma coisa de relacionamento dele, dando valor, para o então ministro Humberto Costa", disse Romero.

    O delator disse que os pagamentos se referiam a uma mudança numa portaria relacionada ao Projeto Suporte –programa do Ministério da Saúde que previa envio de médicos do Into para a realização de atendimentos e cirurgias em outros Estados. A alteração da norma permitiu que o Into comprasse equipamentos para a realização das intervenções.

    "A modificação dessa portaria foi fruto de comemoração entre Miguel, eu e Sérgio. Isso representaria a vinda de orçamento para a compra de equipamentos importados. A alteração dessa portaria foi feita pelo relacionamento, quem conseguiu foi Miguel Iskin", disse Romero. Ele disse que a celebração foi realizada numa "casa de massagens" em São Paulo.

    Durante as investigações da Operação Lava Jato, Côrtes enviou e-mail para Iskin afirmando que "nossas putarias têm que continuar". O Ministério Público Federal entendeu a mensagem como uma forma de obstrução de Justiça –o ex-secretário estaria tentando combinar versões para uma delação conjunta. Côrtes e Iskin afirmaram que o texto tinha cunho unicamente pessoal.

    "Meu chapa, você pode tentar negociar uma coisa ligada à campanha. Pode salvar seu negócio. Podemos passar pouco tempo na cadeia... Mas nossas putarias têm que continuar", dizia a mensagem de Côrtes para Iskin.

    Cabral, Côrtes, Iskin, Romero e outras três pessoas respondem a ação penal em decorrência da Operação Fatura Exposta, desdobramento da Lava Jato no Rio.

    O ex-secretário já reconheceu ao Ministério Público Federal ter recebido propina de Iskin e devolveu US$ 4,3 milhões à Justiça, como revelou a Folha há três meses.

    OUTRO LADO

    Em nota, o senador Humberto Costa afirmou que considera "absurda, irresponsável e mentirosa a declaração dada por alguém que ele não conhece, a respeito de algo jamais citado por quem quer que fosse depois de mais de uma década do fim de sua gestão à frente do Ministério da Saúde".

    "O Projeto Suporte foi criado pela portaria n° 401, de 16 de março de 2005, que, em seu art. 4°, delegava diretamente ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) a assessoria e execução do projeto, responsabilidades entre as quais estava a incumbência de licitações e contratações, sem qualquer interferência do Ministério da Saúde", diz trecho da nota.

    "As modificações ocorridas na referida portaria mencionadas na delação do réu ocorreram após a saída de Humberto Costa do comando da pasta."

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