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    Lava Jato

    Assessor de Janot revelou ter apagado dados da PGR, diz suspeito do caso JBS

    CAMILA MATTOSO
    DE BRASÍLIA

    08/11/2017 13h41

    Pedro Ladeira - 16.set.2017/Folhapress
    O procurador Ângelo Goulart Villela, que foi envolvido na delação da JBS e chegou a ser preso

    Em sessão secreta na CPI da JBS, o procurador Ângelo Goulart Villela disse ter ouvido de Eduardo Pelella, braço direito do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que dados do sistema do Ministério Público Federal foram apagados para que a nova procuradora-geral Raquel Dodge não pudesse acessá-los.

    Segundo Villela, a conversa aconteceu em sua casa, em um almoço, em abril, dias antes de a delação premiada de Joesley Batista ser conhecida –no dia 17 de maio.

    "Ele [Pelella] falou que estava preocupado com as caças às bruxas [se a Raquel fosse nomeada como procuradora-geral] porque era um grupo político rival. Ele disse 'tanto é que a gente está tirando os esqueletos dos armários e apagando alguns dados para não deixar vestígios", disse o procurador, em áudio a que a Folha teve acesso.

    Pelella e Villela eram amigos e se encontravam frequentemente fora dos locais de trabalho. A amizade acabou depois da colaboração dos empresários da gigante das carnes.

    O procurador foi delatado pela JBS e denunciado por Janot por corrupção passiva, violação de sigilo funcional e obstrução de Justiça.

    Ele ficou preso por 76 dias e agora está afastado das suas funções no Ministério Público.

    De acordo com a versão do procurador, o braço direito de Janot não acreditava que Raquel seria nomeada, porque o presidente Michel Temer cairia antes da data da escolha em razão das delações, mas que as medidas de "limpeza" teriam de ser tomadas "caso" ela conseguisse chegar ao cargo.

    Villela disse não ter ouvido de Pelella o que exatamente teria de ser apagado.

    Seu depoimento foi tomado na CPI no dia 27 de outubro.

    Em entrevista à Folha, a primeira depois do período de prisão, Villela afirmou que o processo de colaboração premiada da JBS foi uma trama do ex-procurador-geral com o objetivo de derrubar Temer e impedir a nomeação de Raquel Dodge para substituí-lo no comando da PGR.

    OUTRO LADO

    Em nota, Eduardo Pelella diz que "as afirmações sobre uma suposta conversa são mentirosas e, mais uma vez, revelam a estratégia de um investigado pelo cometimento de crimes para desviar a atenção dos fatos que pesam contra si, acusando um dos integrantes da equipe responsável por revelar tais suspeitas."

    "Eduardo Pelella reitera ainda que, em seus quase 15 anos como membro do Ministério Público Federal, teve sua conduta sempre pautada pela ética e correção", diz trecho da nota.

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