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    'Nova geração' protagoniza primeiro vídeo do MDB da Bahia sem Geddel

    JOÃO PEDRO PITOMBO
    DE SALVADOR

    28/12/2017 17h38 - Atualizado às 17h50

    Para quem viveu a política da Bahia nas últimas duas décadas, propaganda do então PMDB era sinônimo de um jingle de melodia grudenta que exaltava "Geddel Vieira Lima, um homem sério, a escolha ideal".

    Isso mudou a partir da segunda-feira (18), quando foi ao ar a primeira propaganda partidária do partido após a prisão do ex-ministro Geddel, em setembro deste ano, com a descoberta de um bunker onde estavam escondidos R$ 51 milhões.

    Protagonizam a peça publicitária cinco jovens políticos do partido, que falam em "uma nova geração chegando, com novas ideias, assumindo e ocupado os espaços".

    No vídeo, não há nenhuma citação a Geddel nem participação de seu irmão Lúcio Vieira Lima, único deputado federal do partido na Bahia.

    Geddel está preso preventivamente na penitenciária da Papuda e foi alvo de denúncia do Ministério Público Federal por corrupção e lavagem de dinheiro. Lúcio também foi alvo da Procuradoria, que solicitou seu recolhimento noturno, assim como a mãe de ambos, Marluce Vieira Lima, que teve prisão domiciliar requerida.

    O vídeo foi ao ar na semana em que o partido aprovou em convenção a troca de nome, retomando o antigo nome MDB. Entre os protagonistas do "novo MDB da Bahia", estão o vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis, os deputados estaduais Leur Lomanto Júnior e Pedro Tavares, o vereador em Salvador Felipe Lucas e o líder comunitário Nestor Neto.

    Com edição rápida e linguagem de videoclipe, os políticos se revezam na propaganda de 30 segundos, com frases como "é preciso renovar e fazer o que deve ser feito".

    Procurado, o presidente do MDB da Bahia desde o afastamento de Geddel, deputado Pedro Tavares, não quis se manifestar sobre o vídeo.

    Vídeo do MDB

    RENOVAÇÃO

    A propaganda partidária com a "nova geração" do partido é um passo no processo de tomada do MDB das mãos do clã Vieira Lima.

    Desde a prisão de Geddel, deputados e os principais prefeitos do MDB da Bahia têm reuniões mensais para discutir a conjuntura. E já falam abertamente em "oxigenar" e atrair novos nomes para o partido.

    Dos cinco políticos que participaram da propaganda, três atualmente orbitam em torno do grupo político do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).

    O principal é o vice-prefeito Bruno Reis, que deve assumir o comando da capital baiana em abril próximo, quando o prefeito deve renunciar para disputar o governo da Bahia.

    Reis entrou na política pelas mãos de ACM Neto, de quem foi assessor e é amigo. Filiou-se ao MDB em 2014, selando a união do partido com o DEM na campanha daquele ano.

    Em 2016, foi indicado ao posto de candidato a vice-prefeito, apesar de não ser o nome preferido de Geddel e Lúcio Vieira Lima.

    ADVERSÁRIOS

    Desde a descoberta do bunker de dinheiro e posterior denúncia da Procuradoria, os Vieira Lima vêm perdendo espaço na estrutura interna do partido, cargos no governo federal e aliados no interior da Bahia.

    Principal órgão federal controlado por Geddel e Lúcio na Bahia, a Codeba (Companhia das Docas da Bahia) deve ir para as mãos do PR. O diretor-presidente Pedro Dantas, aliado próximo dos irmãos, renunciou ao cargo há uma semana.

    A Folha apurou que deputados federais de outros partidos começam a buscar o apoio de tradicionais aliados de Lúcio e Geddel no interior da Bahia.

    Também haverá concorrência no próprio MDB. Dos políticos apresentados na propaganda partidária, dois –Lomanto Júnior e Nestor Neto– anunciaram a intenção de disputar uma cadeira na Câmara Federal em 2018 e serão adversários diretos de Lúcio Vieira Lima.

    O irmão de Geddel quer renovar o mandato de deputado, cargo para qual foi eleito em 2014 como mais votado da Bahia, com 222 mil votos.

    Caso tenha sucesso, manterá o foro privilegiado e a possibilidade de suspender possíveis medidas cautelares que venham a ser determinadas pela Justiça por meio do voto dos colegas deputados.

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