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    Empresa planeja cultivar orgânicos nos telhados de SP em 2016

    INGRID FAGUNDEZ
    DE SÃO PAULO

    27/09/2015 02h00

    Imagine a trajetória de um tomate até chegar ao seu prato. Provavelmente, ele foi colhido em uma grande fazenda, viajou centenas de quilômetros em um caminhão –onde outros ficaram pelo caminho– até chegar a um centro de distribuição e ser transportado para uma feira ou supermercado. Então, só aí, você o comprou. E se o tomate tivesse sido cultivado em São Paulo, no topo do prédio vizinho?

    Há anos, dezenas de empresas nos Estados Unidos, Europa e Ásia aplicam tecnologia para produzir alimentos em larga escala nas cidades.

    Esse tipo de produção vai chegar à capital paulista em 2016, com a filial brasileira da Urban Farmers, companhia da Suíça que criou um modelo de agricultura hidropônica (na água) sem agrotóxicos ou desperdício.

    A ideia é simples. Em uma área de, no mínimo, mil metros quadrados, dentro de uma estufa, ervas, legumes e frutas são cultivados na água. No mesmo espaço, peixes são alimentados em tanques.

    A água com os resíduos dos peixes é levada por tubos até onde estão as plantas, que se alimentam desses nutrientes e "filtram" o líquido, encaminhado novamente para os tanques. No final, peixes e vegetais viram comida.

    "Na natureza, não existe o conceito de desperdício. Tudo é reciclado. Tentamos usar esse conceito. Hoje, quando você olha para o lado econômico [da cadeia produtiva], 80% é desperdício. Estamos tentando mudar isso ao produzir ultralocalmente", diz o fundador e presidente do Urban Farmers, Roman Gaus.

    Ele esteve no Brasil em agosto para a Virada Sustentável e, durante sua passagem por São Paulo, reuniu-se com interessados em importar o sistema. Entre eles, o engenheiro Daniel Pacheco, a relações públicas Talita Marinho e a administradora Alexa Gaspar, que serão responsáveis pela implantação do modelo na cidade.

    Talita e Daniel conheceram a história do Urban Farmers no final de 2012, quando viram a empresa em uma reportagem. No começo de 2013, incluíram a Suíça em seu roteiro de viagem e viram de perto como funcionavam as hortas urbanas.

    Na maioria dos casos, elas são instaladas no topo de edifícios e distribuem sua produção para supermercados, restaurantes ou diretamente para o consumidor, que pode receber suas compras em casa.

    Em São Paulo, o trio procura prédios que comportem a estrutura para alugar os terraços. Para isso, devem ter fiação e tubulação que suportem o funcionamento da estufa. Hotéis e shoppings são algumas das opções.

    CONHEÇA OS URBAN FARMERS (EM INGLÊS)

    Vídeo mostra o trabalho dos Urban Farmers

    O plano é instalar a primeira fazenda urbana no ano que vem e, em seguida, fazer outras duas. A produção deve começar em 2017. "O momento é propício. Há muitas pessoas em projetos para ocupar a cidade. Vejo hortas na rua, gente nos parques, e a fazenda vem complementar isso", diz Alexa, francesa há sete anos em São Paulo.

    PREÇOS

    Um dos desafios do projeto é tornar os preços dos produtos sem agrotóxicos competitivos no mercado. Alimentos de grandes fazendeiros costumam ser mais baratos porque são produzidos em larga escala e há menos perda devido ao uso de pesticidas.

    Mesmo que os valores sejam um pouco mais altos, Talita, uma das integrantes do grupo, diz acreditar que as pessoas estão se conscientizando sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde. "Um orgânico hoje custa menos do que muitos remédios no futuro", afirma Alexa.

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