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    Medo de espionagem faz ativistas usarem códigos e rejeitarem apps

    MATEUS LUIZ DE SOUZA
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    04/05/2015 02h27

    Editoria de Arte/Folhapress

    O primeiro parágrafo desta reportagem está criptografado na imagem acima. Decifre os códigos de acordo com a tabela ao lado ou vá até o fim do texto para ver a resposta.

    Editoria de Arte

    "Queremos aumentar o número de pessoas que usam a criptografia para dar mais trabalho às agências de espionagem governamental", diz Sérgio Amadeu, militante do software livre e um dos organizadores da CryptoRave, que aconteceu entre 24 e 25 de abril, no Centro Cultural São Paulo.

    No evento, que misturava festa e palestras, participantes defendiam que a privacidade e a segurança na internet só são possíveis quando se codifica a mensagem para que apenas quem a envia e quem a recebe consigam ler.

    "É como uma conta bancária: você pode passar os números dela para quem quiser, mas só quem tem a senha consegue acessá-la", compara Rodolfo Avelino, professor de segurança da informação da Faculdade Impacta, que discotecou na festa.

    Assista

    A preocupação com a privacidade leva alguns a se tornarem radicais, como Lucas (nome fictício). Ele não usa WhatsApp, Messenger nem Telegram, um aplicativo de conversa considerado mais seguro por ser criptografado.

    "Eu simplesmente evito usar programas que comprometam a minha segurança. É dar muito poder para as grandes empresas", afirma.

    Outros não gostam de se identificar em nenhum contexto. A carioca "Amarelo", 25, usa o pseudônimo para tudo. "Prefiro usar essa máscara. É difícil conhecer a minha identidade", diz.

    Segundo Routo Terada, professor de ciências da computação da USP, até recentemente o uso de sistemas para "embaralhar" informações estava restrito a bancos, preocupados em padronizar as transações internacionais.

    Com a ação de Edward Snowden, que em 2013 revelou esquemas de espionagem do governo dos Estados Unidos que incluíam inclusive o governo brasileiro, as pessoas ficaram mais atentas.

    Centro de Mídia Independente/ Divulgação
    O professor da UFABC Sérgio Amadeu da Silveira fala sobre privacidade on-line durante o encontro
    O professor da UFABC Sérgio Amadeu da Silveira fala sobre privacidade on-line durante o encontro

    Após o episódio, algumas medidas foram anunciadas, mas que até hoje não saíram do papel. Uma delas é o Mensageria Digital, serviço gratuito de e-mail criptografado. O Correios, responsável pelo serviço, informou que não há previsão de implantação.

    Para Renato da Silveira Martini, representante do Comitê Gestor da Internet e autor do livro "Criptografia e Cidadania Digital" (editora Ciência Moderna), a questão é também comportamental. "Somos um povo fofoqueiro, não gostamos desse rigor de que a criptografia necessita."

    Editoria de Arte

    SOLUÇÃO

    PRIMEIRO PARÁGRAFO
    São 4h e a pista está lotada. Os DJs tocam Racionais e Mc Bola, casais se beijam e o caixa da bebida não para. É uma balada até comum, mas tem uma propósito além da diversão: estimular as pessoas a criptografar suas atividades na internet.

    TÍTULO DO 1º INFOGRÁFICO
    A história dos códigos

    TÍTULO DO 2º INFOGRÁFICO
    Para se criptografar

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