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    Projeto dos EUA cria supernave espacial

    SALVADOR NOGUEIRA
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    20/03/2011 09h30

    Enquanto o programa espacial americano patina, um grupo de engenheiros seniores do ônibus espacial concebeu um projeto que pode resolver todos os dilemas a um só tempo: a produção da primeira espaçonave tripulada voltada para exploração de longa duração.

    O conceito, batizado de Nautilus-X, foi financiado pela Nasa e aplica as diretrizes dadas pelo presidente Barack Obama -cultivar ideias inovadoras para ir além da órbita terrestre-, com a determinação do Congresso americano de aproveitar ao máximo a experiência e a mão-de-obra dos programas atuais, com os ônibus espaciais e a Estação Espacial Internacional (ISS).

    Inspirado no nome do fictício submarino do capitão Nemo (do clássico "Vinte Mil Léguas Submarinas", de Júlio Verne), Nautilus-X é também sigla para Transporte Universal Não Atmosférico Dirigido a Exploração de Longa Duração dos Estados Unidos, em inglês.

    Como o nome sugere, trata-se de um veículo que não tem a capacidade de penetrar a atmosfera de planetas, ou mesmo de pousar em corpos celestes sem ar. Ele é feito especificamente para o transporte de longa duração, podendo ser aplicado a diversas missões diferentes.

    Essa falta de especificidade cai bem com o cancelamento do Projeto Constellation pelo presidente Obama, que levaria a Nasa de volta à Lua depois de 2020, em nome de uma lista vaga de metas envolvendo uma visita a um asteroide e, futuramente, missões marcianas.

    "A líder de política e análise do Quartel-General da Nasa, Rebecca Keiser, sabe do projeto e pode ajudar a encaminhá-lo da melhor maneira", diz o engenheiro Mark Holderman, do Centro Espacial Johnson, no Texas, que encabeça o trabalho.

    "A coisa engraçada é que o Nautilus-X pode abraçar todas as metas e intenções do plano do presidente", prossegue o engenheiro. "É o conflito que parece existir entre o Congresso e o Poder Executivo que precisa ser resolvido."

    EM PARTES

    A construção do veículo se daria em órbita da Terra, mais ou menos do jeito como a ISS foi montada.

    Diversos foguetes já disponíveis poderiam lançar as partes no espaço, e a ideia é incorporar diversos módulos infláveis, como os já demonstrados pela empresa americana Bigelow Aerospace (integrar o projeto a parceiros comerciais também tem apelo com o governo Obama, que está incentivando o desenvolvimento de cápsulas para astronautas pela iniciativa privada).

    O projeto poderia começar com a criação de uma centrífuga para teste na ISS, para depois culminar com a construção do Nautilus-X, usado inicialmente para viagens entre a Terra e a Lua.

    Seus criadores estimam que ele possa ser montado no espaço em 64 meses, custando US$ 3,7 bilhões (o orçamento anual da Nasa é de cerca de US$ 18 bilhões).

    Mas cabe notar que a Nasa é famosa por subestimar o custo de seus projetos, e o engenheiro que o criou admite que o cronograma montado é apenas uma referência inicial. Para mais detalhes, precisaria de novos estudos.

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