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    Delator de fraude na USP diz sofrer retaliação

    MAURÍCIO TUFFANI
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    05/12/2014 02h02

    O veterinário Paulo Henrique Mazza Rodrigues, professor da USP de Pirassununga, comunicou em maio do ano passado à comissão de ética da universidade que estaria sofrendo retaliações por ter colaborado em uma denúncia de fraude científica.

    O chefe de seu departamento, Francisco Palma Rennó, estaria ameaçando destituí-lo da chefia de laboratório, que exercia desde 2000.

    Na última sexta-feira (28), isso de fato aconteceu. Rodrigues deixou de chefiar do Laboratório de Nutrição Animal e Bromatologia.

    A denúncia de fraude foi feita em 2011 contra Flávio Garcia Vilela, pós-doutorando que era supervisionado por Rennó.

    Rodrigues ajudou um professor da Universidade Federal de Tocantins a mostrar que Vilela se apresentava indevidamente como coautor de trabalhos científicos dos quais não havia participado.

    A comissão de ética da USP comprovou a fraude e a comunicou à Fundação de Amparo à Pesquisa Científica do Estado de São Paulo (Fapesp), que em 2012, após investigação, concluiu que "a ocorrência dos fatos alegados é inquestionável".

    "Desde então, tenho recebido retaliações da chefia de meu departamento. Estas envolvem desde assuntos menores até insinuações desagradáveis de irregularidades no uso da verba de renda industrial gerado pelo laboratório que eu administro ", afirmou Rodrigues em sua carta à comissão.

    Rodrigues não quis dar entrevista, alegando que já formalizou na sua carta à comissão tudo o que ele tem a dizer e que recorrerá novamente à comissão de ética.

    Em agosto de 2013, a comissão da USP escreveu a Enrico Ortolani, diretor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia e superior de Rennó, pedindo que ficasse "atento às possíveis retaliações".

    A comissão ressaltava ainda que a posição hierárquica não deve ser utilizada para "desencadear qualquer perseguição ou atentado à dignidade da pessoa humana".

    OUTRO LADO

    Rennó afirmou que a destituição foi decidida por unanimidade pelos 11 membros do conselho departamental e que Rodrigues recusou seu convite para integrar a comissão gestora a ser criada para o laboratório, com base em novas normas para esse tipo de setor. A reportagem apurou, porém que essas normas não foram aplicadas a nenhum dos outros 12 laboratórios do departamento.

    Rennó ressaltou que suas ações foram tomadas de acordo com o regimento da USP e que as acusações são "desprovidas de veracidade, sendo, portanto, impossíveis de quaisquer comprovação".

    O diretor Ortolani disse que não constatou veracidade nas acusações de Rodrigues, apesar de não ter instaurado apuração sobre o assunto.

    "Como meu objetivo é a harmonia na faculdade, não abri sindicância sobre esse caso da mesma forma que não abri outras contra ele [Rodrigues] por seu comportamento indelicado. Ele tem muitas virtudes como pesquisador, mas é uma pessoa difícil", afirmou.

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