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    Leandro Narloch

    O feminismo é importante demais para ficar na mão das feministas

    08/03/2017 08h31

    Eduardo Anizelli -08.mar.2016/Folhapress
    SAO PAULO, SP, 08-03-2016, A Marcha das Mulheres na av. Paulista, em protesto contra Eduardo Cunha, a Reforma da Previdencia e o impeachment de Dilma, alem das pautas feministas (liberaçao do aborto, igualdade de genero, contra a violencia etc.). (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress, COTIDIANO)
    Marcha das Mulheres contra Eduardo Cunha, reforma da Previdência e o impeachment de Dilma

    Todo dia milhares de brasileiras sofrem assédios e agressões. Apesar dos homens serem vítimas de mais 80% dos homicídios do Brasil, a violência contra a mulher preocupa porque os agressores geralmente são namorados ou familiares. E o abuso sexual de meninas é um problema que as pessoas não veem e por isso acreditam que não existe, pois poucas meninas contam o que sofreram.

    Apesar de tantos problemas reais, muitas feministas preferem se ocupar com questões imaginárias. Só nesta semana, acusaram a atriz Emma Watson —ela própria defensora de causas feministas— de promover a "objetificação do corpo feminino" ao aparecer com parte dos seios à mostra na revista "Vanity Fair".

    Também criticaram a grife Saint Laurent por divulgar imagens que seriam degradantes para as mulheres, sem notar que a marca há um bom tempo usa imagens ousadas nos anúncios.

    No passado, o feminismo lutava pela liberdade individual e por direitos básicos como os de votar e frequentar escolas. Hoje o movimento se perde em "bobagens triviais", como diz a ativista somali Ayaan Hirsi Ali (que quando criança sofreu mutilação genital e foi impedida de estudar pela família muçulmana).

    O Kinder Ovo já sofreu boicote por criar uma versão azul, para meninos, e outra rosa, para meninas. Homens vestidos de mulher no Carnaval? Vetados, pois reproduzem estereótipos de gênero. Até mesmo homens defensores do feminismo ganham cara feia: estariam roubando o "lugar de fala", o protagonismo das mulheres.

    Antes guerreiras da liberdade de expressão e da liberdade sexual, feministas são novas carolas a criar regras moralistas. Disparam contra a prostituição e a pornografia –cuja legalização era bandeira do movimento até os anos 1990.

    No passado, o feminismo lutou para ampliar o direito de escolha das mulheres. Hoje ele ridiculariza modos de vida que não seguem a cartilha feminista. Se uma mulher decide ser bela, recatada e do lar, logo se improvisa uma forma de deslegitimar sua escolha –ela teria sido "influenciada pelo patriarcado" ou "aderido à cultura do opressor".

    Obcecadas em enxergar relações amorosas como relações de poder, acostumadas a culpar o homem branco heterossexual por todos os problemas sociais, feministas desse tipo sabotam a própria causa. Como diz o amigo Joel Pinheiro da Fonseca, brancos médios dos Estados Unidos votaram em Donald Trump porque ele foi o único candidato que ousou defendê-los.

    No Brasil, o feminismo xucro está conseguindo criar oposição até mesmo a uma causa de enorme apelo –a garantia de direitos individuais para todos os sexos. As mulheres de verdade não podem deixar que isso aconteça. Precisam evitar que adolescentes reclamonas ridicularizem questões tão importantes da luta por direitos individuais.

    leandro narloch

    Jornalista, mestre em filosofia e autor do "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil", entre outros. Escreve às quartas.

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