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    Nizan Guanaes

    A Olimpíada está chegando

    02/02/2016 02h00

    O Rio vai realizar Jogos Olímpicos fabulosos num Brasil em crise. Temos zika, recessão, violência urbana, poluição na baía. Mas, como dizia Tom Jobim, quem não gosta do Rio não tem caráter.

    Essa conjuntura adversa torna a Olimpíada mais relevante ainda, uma oportunidade valiosa de mostrar o que o Brasil tem de bom. É a pauta boa do ano.

    Somos historicamente mais competentes em divulgar nossos problemas que nossas qualidades, ainda mais num momento como este. Mas não podemos focar só os nossos defeitos, pois serão nossas qualidades que resolverão nossos problemas.

    O mundo está precisando ouvir nossas boas histórias. O governo brasileiro sempre foi grande anunciante, mas nunca no exterior. A verba para anunciar lá fora não espalha nem boato. É menor do que a de países muito menores que o Brasil. E, se antes era uma fortuna anunciar no mundo, hoje, com a fragmentação do público e do marketing, é uma pechincha.

    O reconhecimento do Brasil no mundo é baixo. E o Rio é a cara global do Brasil. Vamos olhar o Rio como uma empresa global e pegar uma carona de relações públicas com a cidade.

    O mundo precisa conhecer as transformações do Rio, que até aqui tem sido melhor em "storydoing" do que em "storytelling". Steve Jobs pensava em tecnologia, design e marketing. Aqui temos o produto bem desenhado, mas não temos o marketing.

    A parte mais difícil está feita, que foi construir a verdade da história. Mas a propaganda é a alma do negócio. A mensagem tem que ser consistente e insistente. Depois da Copa e depois da Olimpíada, o Brasil precisa montar um calendário para oferecer ao mundo. Não pode ser só Réveillon e Carnaval. Tem que ter negócios na pauta porque essa é a pauta que move o mundo. Não entendo por que o Rio não tem até hoje um centro de convenções à altura da cidade para atrair grandes eventos mundiais. O lugar até já está pronto: o Forte de Copacabana.

    Londres, que é um dos grandes centros de relações públicas do mundo, usou a Olimpíada de 2012 de maneira espetacular. Ficavam o tempo todo vendendo o Reino Unido. Todas as apresentações envolviam mensagens sobre a excelência da indústria britânica, da economia britânica, da música britânica, do Parlamento britânico.

    O Rio, e o Rio é Brasil, tem uma enorme pauta boa para divulgar. Mas não pode ser nem paroquial nem eventual. Tem que ser obsessivo, como Steve Jobs.

    O Rio é uma das grandes cidades do mundo. Uma cidade aberta que convida ao convívio, à multiplicidade, à beleza. Os Jogos do Rio têm que ser a Olimpíada da cidade mais linda do mundo, da maratona mais linda do mundo.

    Precisamos tirar da Olimpíada tudo o que elas podem nos oferecer. Já era para ser assim, mas ainda mais agora com a crise. Essa janela de atenção do mundo, de mais de 20 dias, é valiosíssima e já está paga. Vamos usá-la da melhor forma possível.

    O Rio está construindo um legado. Agora precisa contar esse legado ao mundo (e também ao Brasil). Em São Paulo, nem parece que teremos Olimpíada daqui a seis meses.

    A Copa do Mundo foi uma ópera. Envolvia a paixão nacional e a obrigação da vitória. No final, perdemos dentro do campo e ganhamos fora dele. Na Olimpíada, o importante é competir em campo e vencer no marketing.

    É uma vitória de que precisamos, e ela está ao nosso alcance.

    nizan guanaes

    Publicitário baiano, é dono do maior grupo publicitário do país, o ABC.
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