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    Brasil produz genérico de remédio para Aids

    da Folha de S.Paulo, em Brasília
    da Folha de S.Paulo, no Rio

    18/09/2008 09h38

    O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou ontem que a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio, conseguiu desenvolver o genérico do Efavirenz, o medicamento importado mais usado no programa brasileiro de Aids. Com isso, foi dado o primeiro passo para a produção do anti-retroviral no Brasil, que poderá deixar de importá-lo da Índia. A expectativa do ministério é que ele esteja disponível até o fim de junho de 2009.

    "Pela primeira vez, o Brasil consegue desenvolver o princípio ativo de um medicamento, que era protegido por patente, por empresas nacionais", disse.

    Segundo dados do ministério, dos 200 mil brasileiros que vivem com Aids hoje no país, 80 mil usam o Efavirenz, fornecido gratuitamente pelo Programa DST/Aids do ministério. Por ano, são consumidos 30 milhões de comprimidos.

    A Fiocruz deu início ao processo e solicitou à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) o pedido de registro do genérico do Efavirenz. A agência tem até 90 dias para aprovar ou não o medicamento, mas, segundo Temporão, a avaliação será uma prioridade.

    A produção do anti-retroviral no país não deverá trazer redução de custo, segundo o ministro, mas vai diminuir a dependência do Brasil na importação de anti-retrovirais. "Não acaba, mas reduz", afirmou.

    Hoje, o país compra da Índia o genérico do Efavirenz -o comprimido sai por US$ 0,45. Antes de importar o medicamento indiano, o Brasil comprava o comprimido por US$ 1,59 do laboratório Merck Sharp & Dohme.

    Após negociar sem sucesso com a empresa norte-americana, o governo brasileiro decidiu, em abril do ano passado, autorizar o licenciamento compulsório, uma espécie de quebra de patente.

    Ontem, a Merck Sharp & Dohme parabenizou "o sucesso da Fiocruz" em produzir a versão genérica do Efavirenz, mas declarou considerar que a negociação "é sempre o melhor caminho para se atingir o objetivo de dar acesso ao tratamento a todos os pacientes".

    Produção

    Quando for iniciada a produção de Efavirenz, o Brasil terá o controle sobre oito medicamentos do coquetel anti-Aids. Outros nove produtos são importados --o coquetel é formado por 17 medicamentos, que, combinados, impedem a reprodução do HIV no sangue.

    O genérico do Efavirenz obedece os princípios de bioequivalência e biodisponibilidade -ou seja, tem o mesmo efeito no organismo que o produzido pelo da marca original.

    A formulação do genérico foi alcança pelo laboratório Farmanguinhos, da Fiocruz. O Lafepe (Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco) também tenta desenvolver o medicamento, paralelamente. As pesquisas continuarão, segundo o ministério.

    O Farmanguinhos estabeleceu parceria com as empresas privadas Globequímica (SP), Cristália (SP) e Nortec (RJ) para a produção do Efavirenz.

    O diretor da Farmanguinhos, Eduardo Costa, disse ontem que o laboratório vai começar a pesquisa para fabricar no país o princípio ativo do Tenofovir, outra substância anti-Aids que integra o coquetel.

    "Vamos agora desenvolver outros medicamentos. A nossa intenção é tornar o país auto-suficiente em remédios usados nos coquetéis."

    O trabalho para desenvolver o Efavirenz demorou cerca de um ano. A primeira tentativa não deu certo por falha no estudo de bioequivalência do medicamento, quando se estudam os efeitos sobre um grupo de pacientes.

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