Cerca de 400 policiais da Tropa de Choque e da Cavalaria da PM iniciaram por volta das 5h desta terça-feira a reintegração de posse do prédio da reitoria da USP (Universidade de São Paulo), ocupado por um grupo de estudantes desde a madrugada da última quarta-feira (2).
Os militares, portando cassetetes e escudos, fizeram um cordão de isolamento ao redor do prédio e retiraram cerca de 50 estudantes. Ao mesmo tempo, outros jovens tentavam entrar novamente no local e alguns deles gritavam para a polícia "libertem nossos presos". A operação conta também com o apoio de um helicóptero da PM.
Os estudantes haviam decidido, em assembleia realizada na noite de ontem (7), manter a ocupação, apesar do fim do prazo dado pela Justiça para deixarem o local.
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Após a votação, alguns estudantes agrediram jornalistas. Um cinegrafista caiu após ser empurrado e um fotógrafo teve a câmera arrancada e machucou as mãos --ele foi levado ao hospital.
O clima ficou tenso e, após os grupos ficarem separados, os alunos arremessaram pedras na direção dos jornalistas. Um cinegrafista foi atingido e ficou levemente ferido.
No momento do tumulto, não havia guardas universitários nem PMs no local. Após a confusão, um representante dos invasores disse que havia ocorrido uma "situação isolada".
| Eduardo Anizelli/Folhapress | ||
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| Grupo de estudantes que ocupa reitoria da USP entra em confronto com membros da imprensa |
RESISTÊNCIA
Na assembleia, vários estudantes disseram estar dispostos a resistir caso a PM fizesse a reintegração de posse.
Mais cedo, às 18h, uma reunião de negociação entre representantes da reitoria e alunos terminou em impasse.
O superintendente de relações institucionais da USP, Wanderley Messias da Costa, chegou a deixar a sala onde ocorria o encontro.
A proposta apresentada à tarde pela universidade previa que os alunos e funcionários não fossem punidos por participar da invasão.
A reitoria também manteve a oferta de criar grupos para discutir o convênio com a PM --principal motivo da invasão-- e revisar processos administrativos contra estudantes.
Os alunos, no entanto, consideraram a proposta insuficiente, já que havia chance de novos processos caso ficasse provado que houve vandalismo no prédio invadido.
Os acontecimentos que levaram à ocupação da reitoria tiveram início no dia 27 de outubro, quando três alunos da USP foram detidos por posse de maconha. Houve reação de colegas, que investiram contra a PM. Policiais usaram bombas de efeito moral e cassetetes para levar os rapazes à delegacia --depois eles foram liberados.
Na mesma noite, um grupo de cem estudantes invadiu um prédio administrativo da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Na terça passada, mais de mil alunos realizaram uma assembleia que decidiu, por 559 votos a 458, pela desocupação do edifício.
A minoria derrotada, porém, decidiu invadir a reitoria, onde hoje há cerca de 50 manifestantes --a USP toda tem cerca de 82 mil alunos (50 mil só na Cidade Universitária).
