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    Droga de 'Breaking Bad' se populariza

    MORRIS KACHANI
    DE SÃO PAULO

    08/12/2013 02h20

    A metanfetamina, segunda droga sintética mais consumida na noite paulistana -atrás apenas do ecstasy-, está muito mais potente do que há três anos.

    A constatação é do estudo coordenado por José Luiz da Costa, perito criminal da Superintendência da Polícia Técnico Científica de São Paulo, em parceria com a Fapesp.

    Metanfetamina é fabricada em laboratórios 'caseiros'

    Tendo como base o universo de apreensões no Estado, a pesquisa mostra que em 2011 e 2012 as amostras continham sempre uma mistura da droga, composta por dois isômeros (substâncias formadas pelos mesmos elementos, mas com estruturas diferentes) -"L" e "D".

    Nas amostras de 2013, porém, o isômero "D", que é quase dez vezes mais potente que o "L", aparece sozinho.

    Raquel Cunha/Folhapress
    Debora Calemi, 23, estagiária de farmácia, manuseia amostras em um laboratório da Polícia Técnico Científica, em SP
    Debora Calemi, 23, estagiária de farmácia, manuseia amostras em um laboratório da Polícia Técnico Científica, em SP

    Com isso, efeitos como aumento da frequência respiratória e da atividade motora, vigília, diminuição do apetite, euforia e hipertermia, são muito mais intensos.

    Essa nova variedade da droga remete ao seriado americano de televisão "Breaking Bad", que encerrou sua quinta e última temporada em setembro deste ano.

    O sucesso da metanfetamina produzida pelo protagonista Walter White, um professor de química, está justamente no fato de ele conseguir sintetizar uma versão "D" da droga muito pura, o que nenhum outro traficante da região consegue fazer.

    "O detalhe é que essa droga praticamente não existia três anos atrás. O número de apreensões tem aumentado e a 'qualidade' tem melhorado com o passar dos anos", afirma Costa.

    Ele lembra que muitos comprimidos vendidos como ecstasy consistem na realidade em metanfetamina. Estudo divulgado pela Folha em 2012 mostrou que esse era o caso de 22% dos comprimidos apreendidos no Estado.

    "Não existe controle sobre a composição destes comprimidos, podendo existir grande variação no que diz respeito à quantidade e ao tipo de princípio ativo", diz Costa.

    CONSUMO

    Não há estatísticas precisas sobre consumo e apreensões. João Carlos Ambrosio, perito criminal da Polícia Federal, afirma que a maioria das drogas sintéticas apreendidas no Brasil é ecstasy e metanfetamina.

    Segundo especialistas, a incidência do uso da droga em casas noturnas frequentadas pela classe média alta é maior -o comprimido custa de R$ 50 a R$ 100 e é tão procurado quanto o ecstasy.

    O estudo sobre o perfil químico da droga é uma das mais importantes ferramentas da inteligência policial para o combate ao tráfico.

    O perfil é elaborado a partir de informações sobre a composição das substâncias, o aspecto físico dos comprimidos e os reagentes utilizados na sua fabricação.

    EFEITOS

    Desenvolvida no início do século 20, a metanfetamina foi originalmente usada em descongestionantes nasais e em inaladores para brônquios. Até julho de 2012 era considerada lícita no Brasil.

    Segundo Solange Nappo, professora de psicofarmacologia da Unifesp, a metanfetamina causa tanta dependência quanto a cocaína e pode provocar distúrbios de humor, psicose, diminuição da capacidade de concentração e comportamento violento.

    Para efeito de comparação, usando a mesma dose de metanfetamina e de cocaína, a primeira causará efeito muito maior e mais duradouro.

    A metanfetamina vendida em São Paulo é usada por via oral. Outros formatos da droga também podem ser fumados ou cheirados.

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