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    Prefeitura usa blocos sob viaduto do metrô para afastar mendigos

    WILLIAM CARDOSO
    DO "AGORA"

    20/02/2014 04h00

    A prefeitura instalou 45 canteiros de paralelepípedo ao redor de pilares da linha 1-azul do metrô, no trecho da avenida Cruzeiro do Sul, em Santana (zona norte de São Paulo).

    Moradores de rua costumam usar a base dos pilares para dormir.

    Segundo a administração municipal, os paralelepípedos foram instalados para proteger os pilares e evitar que sejam acesas fogueiras.

    O fogo, diz a prefeitura, abala a estrutura da edificação e prejudica os grafites do local, integrantes do projeto intitulado Museu Aberto de Arte Urbana (MAAU).

    A colocação dos paralelepípedos faz parte de uma reformulação do canteiro central da Cruzeiro do Sul, que terá novo calçamento e iluminação reforçada.

    Rivaldo Gomes/Folhapress
    Blocos de pedra instalados sob um viaduto da linha 1-azul do metrô para evitar mendigos
    Blocos de pedra instalados sob um viaduto da linha 1-azul do metrô para evitar mendigos

    "Acho certo colocar essas pedras aí. Não dá para os mendigos fazerem casa. Tem que ser limpo, para os pedestres", diz a aposentada Maria Cecília Alves Rodrigues, 70.

    Um dos artistas responsáveis pelos desenhos, Binho Ribeiro, 42, diz que instituições de caridade deveriam apresentar soluções para os moradores de rua, e não mantê-los onde estão.

    "É uma polêmica hipócrita. As pessoas colocam grades e lanças em casa para proteger seu patrimônio."

    A aposentada Miraceile Magalhães, 57, ajudava ontem um morador de rua com infecção nos olhos e não gostou do que viu no canteiro. "Se é para instalar pedras, que arrumem antes então um lugar para colocá-los."

    CHAMUSCADO

    Os blocos ainda não surtiram o efeito desejado e pelo menos três grafites estão chamuscados pelo fogo.

    "Não adianta, porque o pessoal vai continuar dormindo por aqui, na grama, que é até mais macia", diz o reciclador Angelo Bertoni, 55, que vive nas ruas da região.

    Em 2005, José Serra (PSDB) foi criticado por movimentos populares após instalar "rampas antimendigo" na passagem subterrânea entre a Paulista e a Doutor Arnaldo.

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