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    Jason de 'Sexta-Feira 13' ganha a vida no centro de São Paulo

    LEANDRO MACHADO
    DE SÃO PAULO

    25/05/2014 03h03

    Jason foi expulso da rua 25 de Março, no centro de São Paulo. Pegou suas cabeças decapitadas, serra elétrica e facão -ambos de plástico- e se mudou para o viaduto do Chá, perto da prefeitura.

    Todos os dias fica imóvel, feito estátua viva, na frente do shopping Light. Quando percebe um olhar de receio na multidão, faz um movimento com o facão.

    Mulheres correm e homens pulam. Crianças dão risada. Quem não tem medo joga moeda numa abóbora de plástico e tira uma foto com ele. Com o dinheiro, o monstro paga aluguel de uma casa na zona sul da cidade.

    Dentro da fantasia está Leandro Bueno, 31, ex-auxiliar de estoque e, desde dezembro, artista de rua. Desempregado, mandou vários currículos. "Mas estão pagando muito pouco por aí."

    Pensou em ser estátua viva, mas esse nicho está muito concorrido, diz. Decidiu então ganhar dinheiro com seu personagem favorito: o monstro assassino da franquia de cinema "Sexta-Feira 13".

    Foi para a 25 de Março -rua famosa pelo comércio popular e ex-reduto dos artistas de rua. Ganhou algum dinheiro e virou atração.

    Ficou poucos meses porque, em março, a prefeitura regulamentou uma lei que restringe apresentações artísticas em vias públicas -exigia, por exemplo, autorização prévia. Por pressão dos comerciantes da 25 de Março, os artistas saíram de lá.

    Nesta sexta-feira (23), em novo decreto, o prefeito Fernando Haddad (PT) recuou e deixou as regras mais flexíveis. Acabou a exigência de autorização prévia, mas são vetadas apresentações a menos de 50 metros de hospitais, prontos-socorros e ambulatórios públicos.

    Na Virada Cultural, Jason teve sua melhor arrecadação. Podia ter ganho mais, diz, mas decidiu sair mais cedo por medo dos arrastões.
    "Por ética", Bueno pediu para a reportagem não revelar quanto ganhou.

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    MEDO

    Jason não saiu sozinho da 25 de Março. Para o viaduto do Chá também foram o Homem de Ferro, jogadores de búzios e tarô e o Pelé -um homem que se pinta de negro e chuta uma bola murcha. "Chego cedo para não perder o meu canto", diz Bueno.

    A fantasia é de látex e tinta. Cabeças decapitadas, de plástico, fazem parte do cenário. "Achei que era um boneco. Então vi os olhos. Ele não precisava me olhar assim", disse a recepcionista Thaís Soares, 19, que ficou com medo de tirar uma foto com o monstro.

    A dona de casa Ingrid Santos, 21, deu um grito e começou a chorar ao se deparar com Jason. "Morri de medo dessa faca", disse ela, depois. "Se eu tirar a máscara, você vai ver que é pior", respondeu o personagem.

    Às 17h, Leandro/Jason coloca a fantasia na mochila e vai embora de metrô.

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