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    Com presença da PM, roubos e furtos dentro do campus da USP sobem 55%

    LEANDRO MACHADO
    PEDRO IVO TOMÉ
    DE SÃO PAULO

    02/10/2014 02h00

    Mesmo com a presença da Polícia Militar na Cidade Universitária, no Butantã (zona oeste de São Paulo), a guarda da USP registrou aumento de 55% nos roubos e furtos em 2014 em relação a 2012, primeiro ano após a entrada em vigor de convênio prevendo PMs no campus.

    Desde então, a polícia no não conseguiu frear a tendência de aumento nesses crimes (ver quadro ao lado). Até setembro deste ano, foram registrados 93 casos, ante 60 em todo 2012, segundo a USP. Em 2013, houve 72 registros.

    O convênio, que vence em 2015, foi assinado em setembro de 2011, dois meses e meio após o estudante Felipe de Paiva, 24, ter sido assassinado em um estacionamento do campus durante um assalto.

    Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress

    Parte dos alunos, professores e funcionários da universidade sempre contestou a presença da Polícia Militar no campus. Estudantes temiam, por exemplo, não poder se manifestar dentro da USP.

    A segurança no campus foi criticada no mês passado após o estudante Victor Hugo Santos, 20, ter sido encontrado morto na raia olímpica. Há suspeitas de que o corpo tenha sido jogado no local.

    Na manhã do último domingo (28), a remadora Bianca Miarka, 32, foi espancada e teve a mochila roubada por dois ladrões em frente a um dos portões da universidade quando chegava para disputar o campeonato brasileiro de remo. O caso foi incluído nas estatísticas divulgadas.

    Para a professora de antropologia Ana Lúcia Pastore, que assumiu neste ano a chefia da segurança da USP, o acordo com a polícia não deu certo, e os crimes poderiam ser evitados se houvesse mais investigação dos casos.

    "A questão da repressão [policial] se deu de forma desastrosa. A polícia começou a entrar no campus para fazer abordagem de todo tipo, inclusive de pessoas que circulavam pelo campus sem qualquer atitude que poderia ser considerada suspeita", diz.

    Segundo ela, o ideal seria que o efetivo da guarda universitária fosse maior, hoje com 55 vigias que andam desarmados e não têm dever de atuar como a PM nos crimes.

    Além da guarda, o policiamento no campus é feito por uma base comunitária e por PMs do 16º batalhão, vizinho à Cidade Universitária.

    Frederico Castelo Branco, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, afirma que o problema de segurança no campus está no contexto do que acontece na cidade. Em agosto, a capital registrou a 15ª alta consecutiva de roubos.

    Ele defende que uma divulgação mais detalhada das estatísticas pode mostrar os locais com mais crimes e ajudaria a entender o problema.

    A universidade afirma que pretende aumentar o monitoramento eletrônico no campus, instalando mais câmeras.

    A Secretaria de Segurança Pública não disse se tem dados de crimes cometidos apenas na Cidade Universitária.

    Segundo a PM, de janeiro a agosto deste ano, 214 pessoas foram presas em flagrante e 9 adolescentes, apreendidos. Disse ainda que "a maior atuação do policiamento dentro do campus depende da USP".

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