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    Cansadas do urbano, famílias 'fogem' para área rural do município de SP

    FELIPE SOUZA
    DE SÃO PAULO

    16/08/2015 02h00

    Uma estrada de terra com sinalização precária leva à área de mata fechada. Sem sinal de TV ou de celular, o ruído do vento e o canto dos pássaros preenche o ambiente.

    Esse isolamento foi decisivo quando o casal Jonatas Knupp, 29, e Marina de Oliveira, 20, decidiu se mudar há sete meses para um sítio em Marsilac, distrito no extremo sul da cidade de São Paulo.

    Engenheiro ambiental, Knupp deixou o bairro de Moema, na zona sul, para viver com a designer da Penha (zona leste) no terreno de cerca de 130 mil m² –equivalente a 13 campos de futebol.

    A cerca de 50 km –ou duas horas– do centro, eles se dedicam hoje a uma horta e à construção de uma ecovila no terreno onde moram. Eles pretendem erguer ali dez casas sustentáveis.

    Marina diz que está adaptada à vida na "floresta" e não cogita voltar para a região urbana. "Eu via minha vida passar pela janela do escritório. Sempre fui muito amiga dos animais e aqui fico em harmonia com eles."

    A coordenadora da Casa da Agricultura (órgão municipal que ajuda os produtores do bairro), Idee Francisca de Moraes, diz que mais de 30 famílias deixaram áreas urbanas para viver lá só no último ano.

    Para Aline Dias Ferreira de Jesus, engenheira agrônoma da Casa da Agricultura, o mais complicado para quem decide viver na zona rural é a falta de conhecimento técnico: "Eles não sabem o que plantar em cada época."

    A empresária Auricleide Gonçalves Duarte, 43, já contorna o problema. Ela conta que fez testes para a plantação de mirtilos (blueberry) que pretende criar em Parelheiros, distrito vizinho de Marsilac. Deu tão certo que ela planeja trocar Guarulhos pelo "mato", como ela mesma diz, em 2016.

    VIDA NOVA

    Depois de oito meses de namoro, a bióloga Debora Mussak, 34, e o arquiteto Hélio Kirk, 34, ambos do Alto de Pinheiros (zona oeste), decidiram se casar e se depararam com uma dúvida: pagar R$ 5.000 de aluguel ou reformar e morar em parte do sítio da família dele?

    Pois eles abandonaram quase tudo e se mudaram para Marsilac. Três anos depois, Kirk, que ainda vai ao centro da cidade algumas vezes por mês para trabalhar, diz que o único problema do bairro rural é a infraestrutura.

    A médio prazo, Kirk planeja plantações e projetos ambientais no sítio. Antes disso, Debora vai dar aulas de ioga a partir desta semana.

    Para eles, a maior vantagem é criar a filha Mia, de um ano e meio, em contato com a natureza. "Ela ama os cavalos que nós temos e o espaço para brincar. Os benefícios da nossa mudança são impagáveis", afirma a bióloga.

    Morador de Diadema, na Grande SP, o terapeuta William Figueiredo comprou um sítio na região para morar com a mulher e os filhos, de 6 anos e de 4 meses.

    Recém-adquirido, o espaço ainda está "cru", mas um dia servirá para atividades culturais e pesquisas com os índios que vivem na região –William estuda xamanismo.

    O Plano Diretor em discussão na Câmara de São Paulo prevê que a região da Subprefeitura de Parelheiros, que engloba os distritos de Parelheiros e Marsilac, seja considerada zona rural.

    A medida vai facilitar empréstimos para os produtores. O projeto mantém as áreas urbanas já existentes.

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