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    Redução da idade penal passa na Câmara e segue para o Senado

    DÉBORA ÁLVARES
    DE BRASÍLIA

    19/08/2015 21h50

    A Câmara aprovou nesta quarta-feira (19) a redução de 18 para 16 anos da idade mínima para imputação penal nos de casos de crime hediondo, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

    O resultado já esperado confirma a proposta aprovada no início de julho, quando o texto foi apreciado em primeiro turno pelos deputados –veja como cada deputado votou.

    Foram 320 votos favoráveis, 152 contrários, e 1 abstenção. Placar semelhante ao do primeiro turno, quando foram registrados 323 votos a favor, 155 contrários e 2 abstenções. Nesta segunda etapa, 39 deputados não compareceram ao plenário.

    Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, a mudança precisava de pelo menos 308 votos favoráveis para ser aprovada. O texto agora segue para o Senado, onde também precisa ser apreciado em dois turnos pelo plenário.

    Alan Marques/Folhapress
    Os deputados Alberto Fraga (DEM) e Jair Bolsonaro (PP) na votação da redução da maioridade penal
    Os deputados Alberto Fraga (DEM) e Jair Bolsonaro (PP) na votação da redução da maioridade penal

    Se aprovado pelos senadores, o texto segue para promulgação. O Senado, no entanto, já deu sinais de que o ritmo de tramitação da proposta será mais lento. O presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), já mostrou disposição em criar uma comissão especial para discutir todas as propostas sobre o tema.

    A redução da maioridade avançou rapidamente na Câmara desde que o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) assumiu a presidência da Casa, no início deste ano. Ele patrocinou um acordo entre o PMDB e partidos de oposição, como o PSDB, para garantir a aprovação da medida.

    Durante a votação em primeiro turno, uma manobra regimental usada por Cunha permitiu que o texto fosse votado duas vezes em um prazo de 24 horas. Isso porque, na primeira votação, a proposta foi derrubada.

    A articulação foi vista por deputados contrários à proposta como uma manobra que feriu as regras da Casa.

    Nesta quarta, Cunha não permitiu que pessoas favoráveis e contrárias à proposta entrassem nas galerias do plenário para acompanhar a votação.

    NEGOCIAÇÕES

    Na votação do primeiro turno, o governo Dilma Rousseff tentou convencer a base aliada a rejeitar a proposta. Os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e dos Direitos Humanos, Pepe Vargas, atuaram pessoalmente para convencer os deputados da base.

    A preferência do governo é por mudanças no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) que aumentassem a punição para menores que praticassem crimes violentos, bem como para adultos que aliciassem e cooptassem jovens.

    Com o acirramento do ambiente político nas últimas semanas, contudo, o governo decidiu se abster das tentativas de impedir a votação desta quarta. Um pedido de retirada de pauta chegou a ser apresentado por governistas no plenário, mas foi rejeitado.

    Ontem, o líder do governo na Casa, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que este não é um assunto de governo, mas sim da Câmara dos Deputados.

    REPERCUSSÃO

    Logo após a votação, a organização Human Right Watch afirmou que a Câmara dos Deputados despreza normas internacionais de direitos humanos ao buscar responsabilizar criminalmente adolescentes como se fossem adultos. Segundo a diretora da ONG, Maria Laura Canineu, "a proposta de emenda viola os direitos das crianças e adolescentes e, se implementada, enfraquecerá os esforços para redução da criminalidade".

    De acordo com a nota, o "Estado brasileiro deveria oferecer verdadeiras chances de ressocialização, em vez de arriscar facilitar o recrutamento de jovens por facções criminosas". A organização sugere que o Senado rejeite a proposta "pelo o bem do país".

    Editoria de Arte/Folhapress

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