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    Empresária morre após errar caminho e ter carro metralhado em favela do RJ

    MARCO ANTÔNIO MARTINS
    DO RIO

    04/10/2015 13h53

    Gabriel de Paiva/Agência O Globo
    Carro do casal que errou caminho, entrou em uma comunidade, e acabou baleado em Niterói (RJ)
    Carro do casal que errou caminho, entrou em uma comunidade, e acabou baleado em Niterói (RJ)

    A empresária Regina Múrmura, 70, morreu ao ser baleada na noite de sábado (3), na favela do Caramujo, em Niterói, região metropolitana do Rio.

    O casal Regina e Francisco, 69, seguiam para uma festa no município vizinho, mas erraram o caminho. Eles se guiavam por informações do aplicativo Waze e acabaram entrando numa comunidade, onde foram recebidos a tiros por um grupo armado com fuzis.

    Moradores do Rio, o casal registrou no aplicativo o endereço errado. O local da festa era a avenida Quintino Bocaiúva, mas o aparelho indicou a rua Quintino Bocaiúva, localizada no interior da favela, no outro extremo de Niterói.

    Quando o carro do casal entrou na comunidade, os traficantes realizaram os primeiros disparos. O empresário tentou fugir e acelerou o carro se deparando com uma rua sem saída. Francisco Múrmura manobrou e depois desceu para argumentar com os traficantes de que estava perdido.

    Reprodução/Facebook
    Francisco e Regina Múrmura, que morreu baleada em Niterói, no Rio de Janeiro
    Francisco e Regina Múrmura, que morreu baleada em Niterói, no Rio de Janeiro, na noite de sábado

    De acordo com o depoimento do empresário na Divisão de Homicídios, ele ainda levou coronhadas dos criminosos, que o liberaram por não ser policial.

    Ao retornar ao volante do carro, o empresário deixava a favela quando houve novos disparos contra o veículo do casal. A polícia suspeita que neste momento, Regina Múrmura foi atingida por tiros. Francisco Múrmura dirigiu até o hospital estadual Azevedo Lima, a pouco mais de dois quilômetros da comunidade, mas a sua mulher morreu quando recebia os primeiros atendimentos.

    O carro foi atingido por mais de seis tiros. Antes de chegar ao velório da mulher, Francisco considerou um milagre não ter morrido e disse que "queria ter ido também".

    Onde fica

    Regina e Francisco eram casados desde 1967. Os dois são sócios de uma agência de viagens. Francisco também era juiz arbitral.

    "Eles [os traficantes] agiram covardemente contra os dois idosos. É impressionante como querem se impor através da violência", afirmou o coronel Fernando Salema, comandante do Batalhão da Polícia Militar de Niterói.

    O corpo da empresária foi sepultado no final da tarde deste domingo (4) no cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio.

    Policiais civis da Divisão de Homicídios de Niterói investigam o caso e apontam traficantes da facção Comando Vermelho como responsáveis pelo crime.

    Os traficantes da favela do Caramujo se destacam pela violência com que atuam na região. Há um casal de idosos da comunidade que está desaparecido e um morador que foi assassinado há 15 dias.

    Os criminosos seriam chefiados por Rodrigo da Silva Rodrigues, 30, conhecido como Tineném. Há uma recompensa de R$ 1 mil oferecida pelo Disque-denúncia para quem ofereça uma informação que leve à sua prisão.

    OUTRO CASO

    Em agosto deste ano, a atriz Fabiana Karla teve o carro atingido por tiros ao entrar por engano na comunidade do Caramujo, a mesma onde a empresária Regina Múrmura foi alvo de traficantes nesta noite de sábado (3).

    Fabiana Karla estava no carro com o marido e ia para uma festa em Pendotiba, em Niterói, mas o GPS indicou a passagem pelo interior da favela do Caramujo. O veículo da atriz chegou a ser cercado pelos criminosos, mas Fabiana Karla deixou a comunidade sem nada sofrer.

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