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    Taxistas fazem 'vigília noturna' contra Uber em frente à Prefeitura de SP

    EDUARDO GERAQUE
    PAULO GOMES
    DE SÃO PAULO

    10/05/2016 18h51

    Em mensagem de áudio divulgada no aplicativo WhatsApp na noite desta terça-feira (10), o presidente do Simtetaxis (Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi do Município de São Paulo), Antônio Raimundo Matias, pede a taxistas que levem pneus para a prefeitura. "Estou aqui com um monte de taxista. Precisamos de pneu urgente", diz Matias, conhecido como Ceará, na mensagem. O intuito seria fazer uma fogueira.

    Procurado, o sindicalista assumiu a autoria do áudio e disse que os pneus são para "esquentar". "Pedi a autorização da PM. Estamos de vigia aqui em frente à prefeitura e vamos ficar até o desembargador derrubar essa decisão [de liberar o Uber] amanhã. Vamos fazer uma fogueira para esquentar, porque está muito frio aqui", disse Ceará à Folha. Ligado aos taxistas, o vereador Adilson Amadeu (PTB) tenta derrubar o decreto do prefeito Fernando Haddad (PT).

    Ceará afirmou ainda que a queima de pneus é uma "homenagem" ao PT. "É a mesma estratégia que o PT usou hoje para parar um monte de rodovias [manifestantes de movimentos sociais pró-governo interromperam o trânsito em diversas vias do país na manhã desta terça, contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff]. Então, como o prefeito é do PT, fica aí essa homenagem", disse.

    Segundo a assessoria do Simtetaxis, os taxistas fizeram protestos em diversos pontos da região metropolitana na noite desta terça: nas marginais Tietê e Pinheiros, a via Dutra, na avenida Radial Leste, na região do aeroporto de Congonhas, na praça Charles Miller e em frente à prefeitura, para onde os manifestantes devem seguir para passar a noite. O trânsito não foi bloqueado completamente em nenhum desses locais.

    No final da noite, moradores da região do Paraíso reclamaram que taxistas faziam um 'buzinaço' perto da antiga residência de Haddad, na rua Afonso de Freitas, com gritos de guerra e o uso de fogos de artifício. O Simtetaxis informou não haver qualquer direcionamento do sindicato para esta manifestação específica, que classificou como "espontânea". "Desde quando se soube que o prefeito ia aprovar o decreto os taxistas já estavam se organizando para fazer esse tipo de protesto na região da residência dele", afirmou a assessoria.

    TRÂNSITO

    Os taxistas que bloquearam a avenida 23 de maio por quase quatro horas em protesto contra a liberação do Uber por Haddad encerraram a manifestação por volta das 20h desta terça.

    Em razão do bloqueio, que teve início às 16h, o trânsito teve lentidão no corredor Norte-Sul –segundo a CET, às 18h havia 5,4 km de congestionamento no sentido Santana e 3,2 km no sentido do aeroporto de Congonhas.

    Apesar disso, o trânsito total da cidade foi abaixo do habitual nessa faixa de horário: 61 km, ante uma média entre 70 km e 114 km. A Polícia Militar manteve liberada uma faixa em cada sentido.

    Depois de negociação com a PM, os taxistas retiraram os carros da via por volta das 19h20 mas mantiveram o bloqueio. O tráfego foi liberado no sentido zona norte às 19h46 e no sentido zona sul às 19h55.

    Eduardo Geraque/Folhapress
    Avenida 23 de Maio com tráfego interrompido por volta das 19h30 desta terça (10)
    Avenida 23 de Maio com tráfego interrompido por volta das 19h30 desta terça (10)

    VIOLÊNCIA

    O clima de revolta entre os taxistas de São Paulo após a decisão de Haddad gerou violência no início da noite, no centro da cidade. Às 18h15, um carro preto que entrava na avenida 23 de Maio depois de passar pelo túnel do Anhangabaú avançou nos manifestantes para furar o bloqueio e foi alvo de socos e pontapés dos taxistas.

    A cena foi exibida ao vivo pelo canal GloboNews, da TV fechada. Nas imagens, é possível ver o veículo atropelar alguns taxistas e ser cercado na sequência –um deles teve cortes na mão, mas foram ferimentos leves. O vidro de trás do carro foi destruído pelas agressões.

    Não ficou claro se o veículo, um Corsa, pertence à rede do aplicativo de transportes. Procurado, o Uber não comentou se o carro depredado é do aplicativo, mas diz considerar "inaceitável o uso de violência".

    "Todo cidadão tem o direito de escolher como quer se mover pela cidade, assim como o direito de trabalhar honestamente", disse a empresa.

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