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    Brasil registra 30 suicídios por dia; problema afeta mais idosos e índios

    THIAGO AMÂNCIO
    DE SÃO PAULO

    21/09/2017 13h34 - Atualizado às 19h15

    Todos os dias, em média, 30 pessoas tiram a própria vida no Brasil. Entre 2011 e 2015, houve 55.649 casos do tipo no país –média de 11 mil por ano, segundo dados divulgados nesta quinta (21) pelo Ministério da Saúde.

    O problema tem avançado. Em 2010, foram registrados 10.490 casos de suicídio. Em 2015, 11.736 –aumento de 12%. A taxa de casos de suicídio no país é de 5,5 mortes para cada 100 mil habitantes.

    O problema atinge, na maior parte, homens (79% dos casos), cuja taxa de ocorrência nesse tipo de mortes é de 8,7 por 100 mil habitantes. Já entre mulheres é de 2,4/100 mil habitantes. A principal causa dessas mortes (62%) é por enforcamento.

    É a primeira vez que o Ministério da Saúde divulga esses dados em forma de boletim epidemiológico, como faz com outras doenças, como dengue e gripe.

    Casos de suicídio no Brasil - País registra média de 30 ocorrências por dia

    Suicídios no Brasil - Perfil das vítimas, por sexo

    A pasta diz ter como meta reduzir a mortalidade por suicídio em 10% até 2020, promete expandir os Caps (Centro de Atenção Psicossocial) a regiões de maior risco e vai elaborar campanhas de prevenção com profissionais de saúde.

    Neste mês, o ministério vai expandir para mais oito Estados a parceria com o CVV (Centro de Valorização à Vida, entidade que trabalha com prevenção ao suicídio).

    Carlos Correa, coordenador do CVV, diz que "reconhecer o problema e publicar esses números é um grande passo" para tratar o problema.

    "Eu não consigo explicar o que acontece, mas tenho hipóteses. Talvez [o crescimento nas taxas de suicídio] esteja associado a mudanças na sociedade. Existe uma falta de comunicação entre as pessoas, de amorosidade, um olhar mais afetivo", afirma.

    Para Fátima Marinho, diretora do Departamento de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, houve, na verdade, um aumento nos registros, por dois fatores: a população está mais informada e a pasta passou a investigar melhor casos prováveis de suicídio. Ela acredita que o número real de casos se mantém estável no país.

    "Eu só consigo prevenir aquilo que eu conheço. Está na hora de começar a trabalhar o problema do suicídio. A gente tem que chamar a sociedade a ser solidária com as pessoas que estão em sofrimento. Não evitar, não chamar o outro de fraco", diz.

    No mundo, a média é de 800 mil suicídios por ano, de acordo com dados da OMS de 2014, e o problema é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

    JOVENS E INDÍGENAS

    No Brasil, o suicídio é a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos -a principal são agressões. Proporcionalmente, no entanto, o problema atinge mais os idosos. A taxa de mortalidade por suicídio entre pessoas com mais de 70 anos chega a 8,9 a cada 100 mil habitantes entre 2011 e 2015. Entre jovens de 20 a 29 anos, é de 6,8 casos a cada 100 mil habitantes.

    Os povos indígenas são os mais vulneráveis: se entre brancos a taxa de mortes por suicídio é de 5,9 a cada 100 mil habitantes, entre indígenas chega a 15,2, de 2011 a 2015. A faixa etária mais atingida entre os indígenas é a de crianças de 10 a 19 anos: representam 45% dos casos.

    Marinho, do Ministério da Saúde, diz que a alta taxa entre indígenas, visível em diferentes países do mundo, mostra "a dificuldade do indígena de conviver com dois mundos diferentes, a sua tradição e a sociedade ocidentalizada, que o discrimina", além da redução de espaço e da pressão fundiária.

    Ela destaca três etnias com alto índice de suicídio: os Guarani Kaiowá (MS), os Ticuna (AM) e os Carajás (TO).

    Quanto aos idosos, a pesquisadora atribui a alta incidência de suicídios ao abandono a que os mais velhos são relegados, "um ato de violência, que faz com que o idoso se sinta socialmente inútil, com que ele se deprima muito mais, com razão".

    A existência de Caps no município é apontada pelo ministério como um fator que reduz em 14% o risco de suicídio. Há 2.463 equipamentos do tipo no país.

    Perfil das vítimas de suicídio - Taxa de casos por 100 mil habitantes, por idade

    <h1><span class="chart-title">PERFIL DAS VÍTIMAS DE SUICÍDIO</span></h1> - Taxa de casos por 100 mil habitantes, por cor/raça, de 2011 a 2015

    REGIÕES

    Os casos de suicídio são espalhados por todo o Brasil. Proporcionalmente, a região Sul é a mais afetada: concentra 23% dos casos, mas com apenas 14% da população do país. Três dos quatro municípios com as piores taxas do país estão no RS: Forquetinha (78,7 casos por 100 mil habitantes), Travesseiro (55,8) e André da Rocha (52,4).

    O outro município entre os mais incidentes é Taipas do Tocantins, com taxa de 57 casos por 100 mil habitantes.

    A região mais afetada é o Sudeste, com 38% dos casos registrados no país.

    Entre 2011 e 2016, foram 48.204 tentativas de suicídio no país, sendo 58% delas por envenenamento ou intoxicação, 6,5% por objeto cortante e 6% por enforcamento.

    São as mulheres quem mais tentam tirar a própria vida: 69% dos casos. Em 31% dos casos, elas tentaram o ato mais de uma vez -entre os homens, a reincidência é de 26%.

    <h1><span class="chart-title">PERFIL DAS VÍTIMAS DE SUICÍDIO - escolaridade</span></h1> - Taxa de casos por 100 mil habitantes, por anos de escolaridade, de 2011 a 2015

    Getty Images/BBC-Brasil
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