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    Metade dos calouros da USP está entre os 20% mais ricos do Brasil

    DE SÃO PAULO

    08/11/2014 02h00

    Metade dos alunos ingressantes na Universidade de São Paulo se situa no quinto mais elevado da pirâmide de distribuição de renda do país.

    O rendimento domiciliar per capita mensal dos brasileiros 20% mais ricos era superior a R$ 1.200 em 2013. No mesmo ano, cinco em cada dez estudantes da universidade tinham renda familiar per capita acima de R$ 1.270.

    As estimativas foram feitas pelo economista Sergio Firpo, da Fundação Getulio Vargas.

    As contas referentes aos calouros da USP se basearam em informações prestadas pelos alunos que fizeram o vestibular para ingresso em 2014. Os dados inéditos foram fornecidos pela universidade a pedido da Folha.

    As estatísticas relativas à população foram calculadas por Firpo a partir de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

    Outro recorte dos números indica que a renda dos alunos ingressantes na USP é cerca de duas vezes superior aos ganhos da população brasileira de forma geral.

    "Essa diferença é semelhante em todas as faixas de renda", diz Firpo, que tem doutorado na universidade de Berkeley e está entre os dez economistas brasileiros com maior número de publicações e citações por outros pesquisadores.

    Dos ingressantes da USP, os 10% menos favorecidos, por exemplo, têm rendimento familiar per capita de, no máximo, R$ 390, ante um teto de R$ 169 entre os 10% mais pobres do país.

    Já entre os calouros 10% mais ricos da USP, aqueles com menor renda atingem R$ 3.751, ante R$ 1.876 no mesmo grupo da população.

    Dos calouros da Fuvest de 2014, 65,4% cursaram todo o ensino médio, o antigo colegial, em escolas particulares.

    MENSALIDADE

    O nível de renda dos alunos ingressantes na USP indica que cerca de 60% deles pagariam mensalidade se fossem considerados os critérios do ProUni (programa federal de bolsas para estudo em faculdades privadas).

    Desses, 29,3% têm rendimento per capita mensal superior a 3 salários mínimos e, portanto, não teriam direito a bolsa pelas regras do programa.

    Outros 30,7% possuem renda acima de 1,5 e inferior a 3 salários mínimos e seriam elegíveis à bolsa de 50%.

    Os quase 40% restantes preenchem os critérios do ProUni para bolsa integral.

    Os números convergem com a estimativa feita pela Folha, em reportagem publicada em 2 de junho, que indicava que 6 em cada 10 alunos da graduação da USP poderiam pagar alguma mensalidade.

    Os cálculos daquela reportagem se basearam nas estatísticas referentes às faixas de renda familiar mensal dos calouros divulgadas pela Fuvest para o vestibular de 2013.

    Para estimar a renda per capita, a Folha usou o número médio de 3 pessoas por família do país como um todo. Errou ao não ter empregado a cifra mais exata, de 3,7, que poderia ser calculada a partir dos dados então disponíveis no site da Fuvest.

    Refeita a estimativa com o fator 3,7, não houve mudança significativa nos resultados publicados.

    Esse fato foi uma vez mais confirmado, agora pelos cálculos feitos por Firpo a pedido da Folha, após a obtenção de estatísticas de renda familiar per capita mais completas cedidas pela universidade.

    Os dados fornecidos combinam informações de faixa de renda (por exemplo, entre 7 e 10 salários mínimos) e o número de pessoas por família para cada um dos 11.018 alunos que ingressaram na USP em 2014 e dos 10.902 calouros de 2013.

    Apenas para um pequeno grupo (menos de 5% do total), o número de pessoas por família informado era "seis ou mais" e, portanto, não exato.

    MODELO

    Firpo utilizou técnicas estatísticas avançadas para estimar a distribuição de renda per capita completa que originou as faixas de rendimento familiar com base no número de pessoas por família de cada aluno.

    O modelo usado por ele supõe que a distribuição de renda na USP é suave o suficiente para, por exemplo, evitar grandes saltos ou uma concentração excessiva de pessoas em apenas uma faixa de rendimento.

    As estimativas para 2013 feitas pelo economista indicam resultados muito próximos aos cálculos para 2014.

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