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    Programa de gestão escolar faz aluno ganhar um ano de ensino

    PAULO SALDAÑA
    DE SÃO PAULO

    31/08/2016 02h05 - Atualizado às 00h04

    Rivaldo Gomes/Folhapress
    Escola Estadual Antônio Vieira de Souza, em Guarulhos (SP)
    Escola Estadual Antônio Vieira de Souza, em Guarulhos (SP)

    Uma gestão escolar estruturada e centrada no aluno consegue fazer com que os estudantes aprendam mais.

    O que parece óbvio foi agora mensurado. Quando há um programa organizado de direção, o incremento é de quase um ano de aprendizado em relação ao que é esperado no ensino médio.

    A avaliação foi feita pelo economista Ricardo Paes de Barros, professor do Insper, e teve como foco o programa Jovem de Futuro, mantido pelo Instituto Unibanco. A metodologia usada pode ser considerada inovadora para a área de políticas educacionais.

    A partir do interesse de escolas em entrarem no programa, o Instituto Unibanco separa, por sorteio, um grupo de colégios para receber a ajuda do Jovem de Futuro e outro para servir só como comparação (após três anos, elas também foram incorporadas).

    Em parceria com secretarias estaduais de Educação, o Jovem de Futuro trabalha com planejamento, assessoria técnica e formação de diretores de escolas, dirigentes regionais e demais envolvidos na gestão e coordenação.

    Entre as ações estão planos pedagógicos para melhorar os resultados recentes de desempenho dos alunos.

    No fim de três anos, comparou-se a performance dos alunos em avaliações estaduais de larga escala —que usam a régua de proficiência do Saeb (Sistema Federal de Avaliação de Educação Básica).

    Foram realizados 141 experimentos de comparação. Cada um deles reunia um grupo de escolas já no programa (chamado de "tratamento") e outro fora dele ("controle").

    Nessas 141 comparações, o desempenho das escolas de "tratamento" foi superior às de "controle" em 92 dos casos na nota de português e em 95 na de matemática.

    A probabilidade dessa frequência se repetir ao acaso é de 1 em 100 mil vezes, o que, segundo Paes de Barros, indica uma robustez incontestável dos resultados.

    A comparação entre os dois grupos possibilita mensurar o impacto isolado do programa, sem contar as melhorias que a escola alcançaria por conta própria.

    Os dados mostram ganho médio de cinco pontos na escala Saeb no 3º ano do ensino médio nas escolas beneficiadas.

    Na média do país, os estudantes brasileiros aprendem em todo o ensino médio o equivalente a 18 pontos nessa escala. Assim, os cinco pontos de incremento garantidos pelo programa equivalem a 80% do que um aluno aprende durante um ano.

    "Apenas quatro Estados brasileiros conseguiram, em dez anos, melhorar em cinco pontos a média no Saeb", afirma Paes de Barros, que também é economista-chefe do Instituto Ayrton Senna.

    Os resultados jogam luz tanto sobre os resultados de uma política voltada à gestão escolar, área com pouca atenção no país, quanto sobre a urgência de uma presença maior de evidências sólidas na tomada de decisões políticas e pedagógicas no universo educacional.

    Para Francisco Soares, ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), os desafios educacionais são enormes e o país precisa usar os conhecimentos acumulados da melhor maneira. "É ótimo que a mesma sofisticação usada para verificar projetos em outras áreas esteja chegando à educação", diz.

    Os dados do estudo serão apresentados no 2º seminário internacional Gestão Escolar, realizado pela Folha e pelo Instituto Unibanco nos dias 15 e 16 de setembro. Para se inscrever, acesse aqui.

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