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    Moradores de rua de SP fotografam a cidade em projeto inédito no Brasil

    PATRICIA PAMPLONA
    DE SÃO PAULO

    16/12/2015 02h00

    Os moradores de rua da capital paulista compartilharam sua visão da cidade no calendário Minha São Paulo, lançado no sábado (12).

    O evento integrou as atividades do 3º Festival de Direitos Humanos, com a presença dos fotógrafos e do secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Eduardo Suplicy.

    O calendário, realizado pela primeira vez em Londres há três anos, reúne o material de 91 das cem câmeras fotográficas descartáveis distribuídas a moradores de rua da capital paulista no início de novembro. Eles captaram o cotidiano da cidade em 4.500 imagens.

    "Todas as fotos têm muita significação", afirmou Suplicy. Para ele, a que ilustra o mês de setembro (na galeria) é a que caracteriza mais fortemente a pessoa em situação de rua e foi a que mais o impressionou. "Certamente, [esse homem] precisa uma atenção maior da nossa parte", afirmou.

    A coordenadora da rede With One Voice Renata Peppl explica que o objetivo do projeto é "celebrar a criatividade dos moradores de rua".

    RECORDE

    Realizado pela primeira vez como parte dos eventos dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, o calendário, idealizado pela organização Café Art, teve recorde de retorno de equipamentos.

    Enquanto em São Paulo 91 câmeras foram devolvidas, na capital londrina são em torno de 80, segundo Peppl.

    O projeto é uma parte das atividades da rede With One Voice, que foca cidades olímpicas, realizando ações com a população de rua. "A arte é um resgate da dignidade e autoestima dessas pessoas", afirma a coordenadora.

    "Ao invés de esconder os moradores de rua, nós os incluímos na programação", explica Peppl sobre a integração inédita dessa população na programação oficial dos jogos de 2012.

    SELEÇÃO

    As fotos foram pré-selecionadas por um júri e depois expostas para escolha do público, em 10 de novembro. Nesse evento, mais da metade do público votante era morador de rua.

    As melhores imagens estavam expostas no sábado, no lançamento, e as 13 campeãs integram o calendário. Assim como no Reino Unido, a renda será revertida para grupos que trabalham com arte e população de rua. Cada unidade custa R$ 25 e pode ser adquirida no site do Café Art.

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