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    Doenças mentais, isoladamente, não tornam as pessoas mais violentas

    DA REUTERS

    07/09/2010 06h46

    As doenças mentais, como esquizofrenia ou transtorno bipolar, isoladamente, não tornam as pessoas mais violentas. Mas a tendência de pessoas com problemas psiquiátricos para o abuso de drogas ou álcool pode contribuir, disseram cientistas na segunda-feira.

    Especialistas há muito procuram entender a relação entre doença mental e violência, e estes resultados sugerem que a percepção generalizada do público --de que os transtornos psiquiátricos deixam as pessoas mais suscetíveis à criminalidade violenta-- é equivocada.

    Pesquisadores do Reino Unido e da Suécia, que estudaram as taxas de crimes violentos entre pessoas com transtornos mentais graves, informaram que o maior risco de abuso de substâncias é a chave do problema.

    Eles descobriram que, enquanto as taxas de crimes violentos é maior entre pessoas com transtorno bipolar e esquizofrenia do que na população em geral, elas são semelhantes em pessoas com doença mental e aquelas que abusam de substâncias, mas não têm problemas psiquiátricos.

    Quando os resultados foram ajustados para a exclusão da influência de álcool ou das drogas ilegais, as taxas de violência entre os pacientes psiquiátricos mudaram pouco em relação aos níveis da população em geral, de acordo com os pesquisadores.

    "O abuso de substâncias é realmente a chave para o crime violento. Se você tirar o abuso, a contribuição da doença é muito escassa", disse Seena Fazel do departamento de psiquiatria da Universidade de Oxford, que conduziu o estudo.

    "Provavelmente é mais perigoso passar na frente de um bar à noite do que caminhar pelas proximidades um hospital onde os pacientes de saúde mental são liberados."

    Estudos anteriores demonstraram que cerca de 20% das pessoas com transtorno bipolar abusam de álcool e drogas, e isso se compara a cerca de 2% da população em geral. Cerca de um quarto das pessoas com esquizofrenia abusam de drogas e álcool.

    Fazel disse que os pacientes psiquiátricos frequentemente usam drogas ilícitas e álcool para tentar combater os sintomas ou os efeitos de seus medicamentos, que podem agir como sedativos.

    Na Inglaterra, vários casos de perfil criminal levaram à ideia de que os doentes mentais constituem uma ameaça para a sociedade. Relatórios no início deste ano sobre o serial killer Peter Sutcliffe --conhecido como "Estripador de Yorkshire"--, que apelou contra sua sentença, pois disse que estava sofrendo de esquizofrenia paranoide quando assassinou 13 mulheres, reforçaram essa percepção.

    Fazel, cujo trabalho foi publicado no Archives of General Psychiatry Journal, disse que a percepção pública de que os doentes mentais são uma ameaça levou a um grande número de pacientes psiquiátricos internados em hospitais nos últimos anos.

    "Houve um tipo de reinstitucionalização dos pacientes com doença mental sob o pretexto de que eles são perigosos", disse.

    Fazel e seus colegas usaram registros de hospitais da Suécia para acompanhar todos com diagnóstico de transtorno bipolar e, em seguida, procurar ligações com condenações por crimes violentos.

    Desde que as taxas de doença mental, assim como as taxas de violência e de abuso de álcool e drogas são semelhantes na Suécia e no resto da Europa e dos Estados Unidos, os resultados podiam ser aplicados a outros países, segundo os cientistas.

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