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    Lance Armstrong admite na televisão que usava doping

    DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

    18/01/2013 00h38

    O ex-ciclista americano Lance Armstrong admitiu em entrevista para a apresentadora Oprah Winfrey, transmitida na noite desta quinta-feira (17), que consumiu todo tipo de substâncias proibidas desde meados dos anos 1990 e se submeteu a transfusões de sangue para ocultar os rastros do doping.

    Nas primeiras perguntas feitas no formato de "sim ou não", Armstrong reconheceu que conquistou seus sete títulos da Volta da França dopado e que não se sentia mal por isso. "Eu não via isso como uma trapaça", afirmou.

    O ex-atleta justificou suas ações com o argumento de que se vivia então a "cultura" do doping dentro do esporte, tanto no ciclismo como em outras disciplinas. "Tomei minhas próprias decisões. São meus erros. Estou aqui sentado para reconhecer isto e dizer que lamento".

    Armstrong admitiu que tem "falhas de personalidade" e que se deixou levar pela "arrogância" e o pelo "desejo de vencer" a qualquer preço.

    "Estou aqui para reconhecer meus erros e pedir desculpas. Os cinco que não se doparam naquelas Voltas da França foram os verdadeiros heróis. Nosso sistema era profissional e inteligente, sem riscos, com precaução, mas não foi o maior. Não inventei essa cultura, mas não fiz nada para detê-la", afirmou.

    O ciclista reconheceu que cometeu excessos com outras pessoas para defender suas vitórias e sua equipe, mas garantiu que jamais obrigou outros atletas a tomar doping. Após se aposentar em 2005, Armstrong retornou ao Tour de France em 2009, quando ficou na terceira posição, e em 2010.

    Sobre as duas últimas provas na França, o ciclista garantiu não ter tomado doping.

    MAIS FRASES DE ARMSTRONG NA ENTREVISTA

    Sobre o que o levou a mentir por tantos anos, ele disse: "Não sei se tenho uma grande resposta. É tarde demais, provavelmente para a maioria das pessoas, e é minha culpa. Vejo essa situação como uma grande mentira que repeti muitas vezes".

    "Esta história é tão ruim... Tão tóxica. Não é que eu tenha dito que não e deixado para lá. Embora eu tenha vivido esse processo, sei a verdade. A verdade não é o que eu disse, e agora já era."

    "Não inventei a cultura, mas não tentei impedir a cultura", declarou. "É difícil falar sobre a cultura. Não quero acusar ninguém. Estou aqui para admitir meus erros. Vou passar o resto da vida tentando recuperar a confiança e pedindo desculpas às pessoas."

    "Eu vi a definição de trapaça como sendo tirar vantagem. Eu não via dessa forma. Via como nivelar o campo de disputa."

    "A coisa mais importante é que estou começando a entender. Eu vejo a raiva das pessoas...", disse. "Estas eram pessoas que me apoiavam, acreditavam em mim e têm todo o direito de se sentirem traídas. Algumas se foram para sempre, mas eu vou trabalhar para sempre para recuperar a confiança."

    FIM DO SILÊNCIO

    Esta é a primeira vez que o ex-atleta americano fala do assunto desde que foi banido do esporte, no ano passado, e teve seus títulos cassados.

    Na tarde da última segunda (14), Armstrong já havia pedido desculpas para os funcionários mais próximos de sua fundação Livestrong, antes de quebrar o silêncio publicamente.

    Em 10 de outubro passado, um relatório da Usada (agência antidoping dos EUA) apontou o envolvimento dele no "mais sofisticado, profissionalizado e bem sucedido programa de dopagem que o esporte já viu", envolvendo esteróides anabolizantes, hormônios do crescimento humano, transfusões de sangue e outras infrações.

    Menos de duas semanas depois, as sete vitórias de Armstrong na Volta da França foram anuladas, e ele foi banido do ciclismo pelo resto da vida, já que a União Internacional do Ciclismo ratificou as sanções da Usada contra ele.

    Em novembro, Armstrong, sobrevivente de um câncer de testículo, renunciou ao cargo de conselheiro da ONG Livestrong, voltada para o combate ao câncer, que ele fundou em 1997.

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