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    Recorde de Robson Caetano completa 25 anos e expõe crise brasileira nos 100 m

    MARCEL MERGUIZO
    PAULO ROBERTO CONDE
    DE SÃO PAULO

    23/07/2013 04h10

    "Às suas marcas".

    Quando o alto-falante do Estádio Luzhniki, em Moscou, anunciar a entrada dos competidores das eliminatórias dos 100 m no Mundial de atletismo, no próximo dia 10, nenhum brasileiro se posicionará nos blocos de largada.

    Pela primeira vez desde que o campeonato foi criado, em 1983, o país não terá representante na mais nobre prova dos esportes olímpicos.

    O Brasil parou no tempo. Um atraso de 25 anos, desde quando o cronômetro travou na marca que até hoje é recorde nacional e sul-americano.

    Em 22 de julho de 1988, na Cidade do México, Robson Caetano fez 100 m em 10s00.

    "Corri em 9s99", protesta o ex-atleta, hoje com 48 anos.

    De acordo com Robson, os mexicanos fizeram um arredondamento "desastroso" que o impediu de estar oficialmente entre os atletas na casa dos nove segundos.

    Há 25 anos, o tempo deixava o brasileiro entre as dez melhores marcas daquela temporada, embora não fosse exatamente uma façanha.

    Em 1960, o alemão Armin Hary já havia cravado os mesmos 10s00. Em 1968, o americano Jim Hines se tornou o primeiro abaixo da marca padrão, ao registrar 9s95.

    Quase meio século depois, o mundo evoluiu a passos largos. Ao todo, 90 atletas representando 22 países "ultrapassaram" Robson --na história, a marca dos 10s00 foi superada 636 vezes.

    O Brasil corre no sentido anti-horário. O melhor tempo desde 1988 foi o 10s06 de André Domingos, em 1999.

    Na atual temporada, José Carlos Moreira, o Codó, lidera o ranking nacional com 10s16, mas é apenas o 136º na listagem internacional.

    Editoria de Arte/Folhapress

    "Eu corri com três pregos numa sapatilha e quatro na outra [a esquerda]. Era o que tinha na época. Eu consegui, mostrei que é possível um sul-americano quebrar essa barreira dos dez. Como não conseguem hoje? Com essas sapatilhas mais leves, melhores, com o piso de qualidade nas pistas? É inconcebível", afirma o recordista à Folha.

    Se em 1988 o recorde mundial era 9s92, hoje é de 9s58, e pertence ao jamaicano Usain Bolt desde 2009.

    "A impressão que tenho é que estão mexendo no cronômetro ou o sapato é tão especial que joga para frente", brinca Robson, que não perdoa envolvidos em doping.

    Na Olimpíada de Seul-88, o brasileiro ficou na quinta colocação na final dos 100 m.

    Daquela prova, apenas ele e o americano Calvin Smith não se envolveram, de alguma forma, em escândalos com substâncias proibidas. Nos mesmos Jogos, Robson ganhou o bronze, nos 200 m.

    Até a Olimpíada de 2016, o ex-atleta carioca espera que sua marca seja, enfim, quebrada por um brasileiro, "para o recorde ficar em casa".

    Mas o sul-americano mais próximo do feito é o equatoriano Alex Quiñonez, 23, que este ano já correu em 10s09.

    "Já vi juras de atletas, mas até hoje nada. Esta é a prova rainha, realizei meus sonhos por causa dela. Sua vida muda em dez segundos", diz Robson, que usa este lema em palestras, afinal, há 25 anos, esta é a sua marca.

    Editoria de Arte/Folhapress
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