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    Em meio a polêmica, presidente do São Paulo recontrata sócio de vice

    ADRIANO MANEO
    CAMILA MATTOSO
    DE SÃO PAULO

    26/01/2016 13h10

    Em meio a questionamentos levantados no Conselho, o presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, decidiu recontratar o advogado Carlos Eduardo Ambiel.

    Especialista em direito desportivo, Ambiel é sócio do escritório AMVO ao lado do vice-presidente de comunicação e marketing do São Paulo, José Francisco Manssur.

    Entre os vários clientes do AMVO, como Palmeiras, Botafogo-SP, EA Sports e a Liga Nacional de Basquete, o escritório atende também o empresário Eduardo Uram. O agente representa um leque importante de jogadores, alguns deles colocados no time tricolor nos últimos anos, como Cícero, Cortez, João Filipe, Juan, Maicon, Bruno, Welliton, Aloísio e Roger Carvalho.

    Gabriela Di Bella/Folhapress
    Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, presidente do São Paulo
    Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, presidente do São Paulo

    E é aí, justamente, que está a polêmica levantada por um conselheiro, em requerimento enviado ao órgão em dezembro. O presidente do Conselho, Marcelo Pupo, recebeu o pedido e encaminhou para a comissão de auditoria do clube. O documento questiona uma possível relação entre o escritório e Uram em negociações envolvendo o São Paulo, de conflito de interesse. O caso está em análise.

    Também em dezembro, o ex-presidente Carlos Miguel Aidar, que renunciou em 13 de outubro de 2015, em meio a acusações de corrupção, deu uma entrevista ao jornal "Diário de S.Paulo" na qual acusou o São Paulo de pagar R$ 9,5 milhões ao Tombense, clube mineiro que o cartola chamou de "barriga de aluguel" do empresário, nos últimos três meses da gestão de Juvenal Juvêncio, em 2014.

    A reportagem obteve a informação da recontratação de Ambiel no início de janeiro, mas dirigentes do Morumbi tentaram negar.

    À Folha, duas pessoas confirmaram que o advogado participou ativamente da contratação do técnico Edgardo Bauza, mas o diretor executivo de futebol, Gustavo Vieira de Oliveira, negou –ele também já foi sócio do escritório e é citado no requerimento que chegou ao Conselho; deixou a sociedade quando foi pela primeira vez contratado para trabalhar no time tricolor, ainda na gestão de Juvenal Juvêncio.

    Manssur adotou o mesmo discurso e disse que não havia nenhuma relação de Ambiel nas negociações do treinador argentino e, no máximo, poderia ter havido consultas informais de Alexandre Pássaro, advogado interno, ao seu sócio.

    A recontratação só veio a ser confirmada por Leco, em entrevista à Folha, na segunda-feira (18).

    "O Ambiel presta serviços para o São Paulo. Ele é terceirizado. Alguns trabalhos que se adequam à especialidade dele, eu passo para ele", afirmou o presidente.

    Perguntado se foi o caso da contratação de Bauza, Leco confirmou que "sim".

    Em conversa com a reportagem, Ambiel também confirmou que "está voltando" ao clube, embora ainda não tenha sido remunerado por nenhum serviço prestado –será quando assinar o contrato.

    Sobre o conflito de interesses, o advogado explicou que não atuará em casos que envolvam algum de seus clientes e o São Paulo, qualquer um que seja, ética presente em qualquer situação da área.

    Além disso, o contrato entre Ambiel e o clube será de pessoa física e não pelo escritório.

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