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    Galvão fala em ir à Justiça por ameaças a Cacá Bueno; piloto se diz 'enojado'

    DE SÃO PAULO

    29/02/2016 16h14

    Reprodução/Instagram/cacabuenoracing
    Galvão e Cacá Bueno no programa "Altas Horas"
    Galvão e Cacá Bueno no programa "Altas Horas", da Rede Globo

    O narrador e apresentador da Rede Globo Galvão Bueno disse que vai à Justiça após a publicação de reportagem da Folha que revelou uma troca de mensagens entre comissários da Stock Car.

    Nelas, os fiscais de prova ameaçam prejudicar Cacá Bueno, filho de Galvão e um dos principais pilotos da categoria.

    "Eu disse no ano passado no #bemamigos [programa do SporTV] que um dia a caixa preta da CBA seria aberta!! Foi!! Agora é vassoura grande e vai varrendo!! Um inquérito terá que ser aberto e os culpados eliminados do esporte!! Essa é a posição do jornalista!! O pai vai aos tribunais!!", escreveu o apresentador em suas contas nas redes sociais.

    A CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) informou nesta segunda-feira (29) que afastou os oficiais citados na reportagem. De acordo com o comunicado, a entidade abrirá inquérito administrativo para apurar supostas irregularidades. Além disso, encaminhará a reportagem para a Procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) do automobilismo, "ante a gravidade do narrado".

    Duda Bairros/Vicar
    Cacá Bueno - Duda Bairros/Vicar ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***
    O piloto Cacá Bueno, da Stock Car

    Nas conversas, os comissários fazem ameaças e piadas.

    "Vamos desclassificar ele por alguma coisa na próxima etapa...", escreveu o auxiliar de comissário Paulo Ygor Dias em 7 de abril de 2015, referindo-se ao piloto Cacá Bueno.

    Dois dias antes, na corrida em Ribeirão Preto (SP), o piloto havia chamado os "caras da CBA" (Confederação Brasileira de Automobilismo) de "bando de imbecis", em conversa com a equipe que acabou vazando, depois que a bandeirada não foi dada por erro de uma comissária.

    A ameaça não se concretizou na corrida seguinte. O piloto foi suspenso por uma etapa e multado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva da CBA, perdendo a liderança do campeonato.

    Pouco depois, na mesma conversa, o veterano comissário Clóvis Matsumoto, hoje fora da Stock Car, vangloria-se de ter impedido o mesmo Bueno de ser campeão.

    "Bom, na minha época o Cacá foi 3 vezes vice pq eu não estava a fim de deixar ele ser campeão! Kkk", escreveu.

    Ygor confirma: "Eu presenciei essa época do matsu... E tbm não faz muito que ele não foi campeão por uns pontinhos que tiramos dele...". Seguiram-se vários "kkk".

    A postagem do apresentador foi uma resposta à mensagem publicada pelo próprio Cacá Bueno na rede social.

    "Bom, a semana da abertura do campeonato infelizmente ou felizmente começa assim, algo que todo mundo sabia mas nunca tivemos provas. Os comissários fazem 2 pesos e 2 medidas e jogam um jogo de cartas marcadas. São moleques no mínimo, eles mesmo admitem. E dentro da CBA tem gente sem o menor senso do ridículo, eles confessaram ta ai pra todo mundo ler mas tem gente graúda que segue defendendo a postura deles. Ficaram perguntas no ar, foi da cabeça deles?? Teve envolvimento da CBA ou de promotores? São só muleques ou algo mais? Quem investiga é quem fez a irregularidade?? Eu estava errado no que falei no Rádio ano passado? Infelizmente o prejuízo a minha imagem, desportivo e financeiro é incalculável. Acho que é a ponta do iceberg e que seja uma oportunidade de limpar o nosso esporte."

    Em entrevista ao canal "SporTV", o piloto se disse "enojado" com a situação.

    "Não me surpreende nem um pouco o que aconteceu, me enoja. Eu acho que é um absurdo, que é revoltante, mas surpreso não estou. Estou de certo modo até aliviado. Comprova aquilo tudo que eu vinha falando nos últimos anos, de que havia sim uma perseguição, um jogo de cartas marcadas, em que eles não permitiam um título ou puniam alguém que estava em briga ou em conflito com a confederação", afirmou.

    Ele também criticou o argumento dos comissários, para quem as mensagens faziam parte de uma brincadeira: "A primeira defesa deles é dizer que foi molecagem. Não cabe moleque no esporte profissional. Não cabe no esporte sério, de risco de vida, de dinheiro envolvido, de torcida, de paixão, de televisionamento, não cabe molecagem".

    OUTRO LADO

    Tanto comissários como a CBA afirmaram que não é possível que os comissários técnicos influam deliberadamente no resultado das corridas.

    O engenheiro Clóvis Matsumoto disse que a conversa foi feita em tom de brincadeira. Foi uma "molecagem".

    Ele afirmou que hoje a Stock Car é muito profissional, que os regulamentos evoluíram e que "não tem pegação no pé, não dá para inventar punições", uma vez que as questões são técnicas.

    Informou que atua na função desde 2002 e que nunca viu "nenhum comissário punir piloto por implicância".

    Paulo Ygor Dias, auxiliar de comissário na Stock Car, também disse que a conversa tinha "tom de brincadeira". Para ele, o trabalho dos comissários é baseado em regulamentos técnicos e é acompanhado pelas equipes.

    Afirmou ainda que Cacá Bueno já teve problemas "com itens em desacordo com regulamentos" em outras categorias. Disse que alguns pilotos ficam questionando todo o tempo, inclusive sobre outros carros. "Assim como ele [Cacá Bueno] xingou a gente [de imbecis], eu posso achar que ele é chato."

    STOCK CAR SOB SUSPEITA - Mensagens de comissários em grupo de Whatsapp indicam que pilotos teriam sido prejudicados

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