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    Minoria, treinadora tenta título brasileiro no futebol feminino

    LUIZ COSENZO
    DE SÃO PAULO

    27/10/2016 02h00

    Numa profissão dominada por homens no país, até mesmo no futebol feminino, uma mulher tenta um feito inédito. Nunca um time comandado por uma treinadora venceu a Copa do Brasil, que existe desde 2007. Emily Lima, 36, do São José, tem a chance de quebrar o tabu nesta quinta (27), às 19h30,quando sua equipe enfrenta o Audax/Corinthians, em Osasco, pelo jogo de volta da decisão da Copa do Brasil.

    Ela é uma das seis mulheres que estiveram à beira do campo entre os 32 clubes que disputaram a competição.

    A tendência de poucas treinadoras é mundial. Na Copa do Canadá-2015, apenas sete estiveram à beira do gramado entre as 24 seleções. Na Rio-16, oito dos 12 times tiveram técnicos, inclusive o Brasil, com Vadão.

    Apesar do pequeno número, elas tiveram sucesso. Silvia Neid conquistou a medalha de ouro com a Alemanha, enquanto Jill Ellis faturou o título mundial com os EUA.

    "Uma mulher dirigir um time soa como algo estranho, mas a tendência é que esta situação mude. Acredito que a Fifa vai exigir isso e a CBF terá que mudar", afirmou Emily Lima, que iniciou a trajetória no Juventus-SP há cinco anos e está na equipe do Vale do Paraíba desde 2014.

    "Nosso país é preconceituoso em relação a mulher em qualquer área", acrescentou.

    No mês passado, ela participou do curso de Licença B, da CBF, que serve para treinadores da base. A treinadora, inclusive, sugere que a CBF disponibilize bolsas para ex-jogadoras participarem dos cursos. À Folha a entidade diz que existe a possibilidade "desde que elas estejam envolvidas com o futebol".

    Emily afirmou que ainda deseja se aperfeiçoar com cursos no país e na Europa, além de voltar à seleção e até dirigir um time profissional masculino. "Preciso me aperfeiçoar porque não quero chegar à seleção só com os resultados", disse ela, que já foi técnica das equipes sub-15 e sub-17 da seleção em 2013.

    "Deixei o cargo porque a CBF disse que não tinha condições de me registrar, mas não deu para acreditar nesta desculpa porque não estamos falando de R$ 800 mil e,sim, de R$ 5 mil", reclama.

    Duas referências de treinadores para Emily são Tite e Pia Mariane, técnica da Suécia, medalha de prata na Rio-16. Pia ganhou o ouro com os EUA em Pequim e Londres.

    "Eu me espelho muito no Tite. Procuro vídeos dele no YouTube explicando sobre tática", analisou.

    Como o jogo de ida terminou empatado por 2 a 2, o time de Emily precisa vencer para faturar o tri da Copa do Brasil. Em caso de empate, a final vai para os pênaltis.

    O jogo terá transmissão apenas via Facebook da CBF.

    PARCEIROS, CLUBES INVERTEM NOMES EM TORNEIOS

    Parceiros no futebol feminino, Corinthians e Audax invertem o nome principal da equipe a cada torneio que disputam. Na Copa do Brasil, o time chama Audax/Corinthians porque o clube de Osasco era o dono da vaga.

    É o terceiro campeonato que a parceria disputa desde o início do ano, quando o Corinthians voltou a investir no esporte.

    No Campeonato Brasileiro, a equipe foi inscrita com o nome de Corinthians/Audax, já que o clube alvinegro tinha vaga no torneio por jogar a Série A no futebol masculino.

    O nome Corinthians/Audax foi mantido também no Paulista em virtude do "apelo" que o time do Parque São Jorge representa.

    De acordo com Pedro Castro, diretor de futebol da parceria, os gastos são repartidos entre os dois clubes. A reportagem apurou que a folha salarial da equipe é de aproximadamente R$ 100 mil.

    O Audax/Corinthians tem em seu elenco a volante Thaísa e a lateral Camila, que disputaram os Jogos Olímpicos do Rio.

    Adriano Stofaleti
    O nome Corinthians está estampado na parte frontal da camisa da equipe
    O nome Corinthians está estampado na parte frontal da camisa da equipe
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