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    Corinthians encontra vazamento em Itaquera e teme deslizamento

    JUCA KFOURI
    COLUNISTA DA FOLHA

    01/11/2016 02h00

    Uma auditoria interna do Corinthians investiga o risco de haver um deslizamento de terra na área externa do estádio do clube, em Itaquera. O temor é que possa atingir a Radial Leste, uma das principais vias na zona leste da capital paulista.

    O incidente poderia ocorrer em razão de um vazamento de água no estacionamento da arena corintiana, inaugurada em 2014.

    O caso foi descoberto em junho de 2016. Um ano antes, a administração do estádio foi alertada pela Sabesp sobre o consumo excessivo de água. Em fevereiro, houve um deslizamento de terra na área ao lado do estacionamento leste, que chegou até a calçada da Radial Leste.

    Uma apuração interna do clube indicou que havia uma relação entre o deslizamento e um vazamento de água no subsolo do estacionamento, que fica no lado leste da arena. O local comporta 350 carros e está sendo utilizado por torcedores em dias de jogo.

    Odebrecht e Corinthians, sócias no fundo que administra o estádio, foram alertados do risco por técnicos.

    Fontes que tiveram acesso a relatórios sobre o problema disseram à Folha que mais de 10 milhões de litros de água vazaram na área do estacionamento do estádio. Isso seria suficiente para abastecer por praticamente um mês o condomínio do Copan, com 1.160 apartamentos. A última conta de água do condomínio registrou 10,144 milhões de litros.

    A Arena Corinthians foi construída pela Odebrecht e inaugurada em maio de 2014. Atualmente, clube e empreiteira estão em conflito em razão da entrega final da obra. O Corinthians queixa-se de que faltaram acabamentos na conclusão do estádio.

    QUEDAS E RACHADURAS

    O risco de deslizamento não é o único problema registrado no Itaquerão. Auditoria do clube encontrou rachaduras em paredes do estádio, na arquibancada norte.

    Há também registros de buracos no piso ao redor do estádio, no estacionamento leste e em outras áreas.

    Outro fato que preocupa o clube é a queda de placas da cobertura e de paredes. Lâminas de porcelana de três milímetros de espessura, com três metros por um de comprimento, que já caíram no setor norte da arquibancada e até mesmo no gramado. Os incidentes aconteceram em dias sem jogos, em áreas onde circulam pessoas.

    Em fevereiro, caiu um pedaço do teto da entrada principal da arena, de cerca de duas toneladas, no setor oeste, no hall que dá acesso às instalações vip do estádio. A estrutura que cedeu era formada por gesso e madeira. Ninguém estava no local no momento do acidente (veja vídeo abaixo).

    Sede da abertura da Copa do Mundo de 2014, o estádio do Corinthians custará cerca de R$ 1,64 bilhão ao final do prazo para o clube quitar a dívida assumida. Neste momento, o Corinthians não está pagando as parcelas devidas à Caixa Econômica Federal. Os pagamentos terminam daqui a 12 anos, em 2028.

    Teto da Arena

    OUTRO LADO

    Procurada pela Folha, a Odebrecht informou que não vai se pronunciar sobre o assunto. O Corinthians confirmou a existência de uma auditoria para verificar problemas no estádio em Itaquera.

    O clube, porém, não quis comentar os problemas identificados até agora.

    "A auditoria está vendo de tudo. Só no final disso vamos falar. E mais: o Corinthians não deu ainda o aceite da obra. Então, a Odebrecht é responsável por tudo, até que prove o contrário", afirmou o ex-presidente do clube Andrés Sanchez, deputado federal (PT) e responsável pela gestão do estádio.

    MAIS SOBRE ARENA CORINTHIANS

    Em setembro de 2015, a Odebrecht anunciou que encerrava as obras de acabamento do centro de convenções da Arena Corinthians. Esse seria, segundo a empresa, o último trabalho referente ao contrato estabelecido com o clube, no valor de R$ 985 milhões.

    "O escopo das obras foi estabelecido de comum acordo com o SCCP [Corinthians] ao longo da construção, respeitando os ajustes ou modificações de especificações previstas no contrato e definidas pelo clube como aquelas necessárias para o pleno funcionamento da Arena, cuja aceitação vem sendo comprovada pela torcida e pelos sucessivos recordes de público", informou a empresa, em 2015.

    À época, o Corinthians contestou a posição da empresa e alegou que ainda havia obras para serem concluídas no estádio.

    Colaboraram FABRICIO LOBEL, PAULO PASSOS, de São Paulo, e CAMILA MATTOSO, de Brasília

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