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    Corrupção no futebol

    Coadjuvante, substituto de Del Nero já foi pivô de crise diplomática com a Fifa

    SÉRGIO RANGEL
    DO RIO

    16/12/2017 02h00

    Ariel Subirá/Futura Press/Folhapress
    Coronel Antonio Carlos Nunes, presidente em exercício da CBF

    Vice-presidente mais velho da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Antonio Carlos Nunes, 79, se surpreendeu com a decisão da Fifa de afastar Marco Polo Del Nero. Ele recebeu a notícia pouco antes de almoçar com os funcionários da CBF.

    Presidente licenciado da Federação Paraense de Futebol, coronel Nunes, como gosta de ser chamado, é um dirigente folclórico.

    Ele passa os dias fazendo palavras cruzadas na CBF e nas conversas sempre aproveita para falar sobre o Paysandu, clube do seu coração.

    Ao ser eleito vice-presidente da CBF em dezembro de 2015, o dirigente disse que o melhor treinador do país era Dado Cavalcanti, então treinador do time paraense, e fez elogios ao lateral Yago Pikachu, que defendia o clube.

    Em 2009, na disputa da Copa das Confederações, ele foi o pivô de uma crise com os organizadores do evento na África do Sul. Chefe da delegação brasileira, ele reclamou da violência no país e disse que não levaria seus parentes ao Mundial de 2010.

    A CBF teve que pedir desculpas aos organizadores.

    Nunes foi eleito vice-presidente da confederação no lugar de José Maria Marin, que havia sido preso meses antes na Suíça. A eleição foi chamada de golpe pela oposição.

    Marco Polo Del Nero não queria que Delfim Peixoto, 75, seu vice-presidente mais velho e opositor, assumisse a CBF durante a sua licença.

    Peixoto morreu no ano passado. Ele foi uma das vítimas da queda do avião da Chapecoense na Colômbia.

    Del Nero Banido

    Ao assumir a CBF, Nunes afirmou que não existia corrupção no futebol. "Não acredito nisso. Nunca vi isso. Eles não têm coragem de chegar perto de mim", disse.

    Os últimos três presidentes da CBF (Del Nero, Marin e Ricardo Teixeira) são acusados pela Justiça americana de participação em esquema de recebimento de propina na venda de direitos de competições no Brasil e no exterior.

    Coronel da reserva da Polícia Militar do Pará, Nunes ficou por mais de 20 anos no comando da federação local, financiada pelo governo estadual e pela CBF.
    Fotos com Ricardo Teixeira e João Havelange estampavam as paredes do seu gabinete na federação do Pará.

    Na CBF, o dirigente tem um papel de coadjuvante. Ele não participa das decisões de diretoria, mas é presença constante nas viagens da seleção.

    Em junho, ficou mais de um mês internado após voltar da excursão do time brasileiro na Austrália. Nunes sofreu um problema cardíaco.

    Em novembro do ano passado, ele foi internado às pressas em Belo Horizonte.

    Ele passou mal no hotel da seleção logo após o café da manhã. O médico da seleção, Rodrigo Lasmar, foi chamado ao quarto para prestar o primeiro atendimento ao cartola, que se sentia tonto. O vice-presidente da CBF estava com a pressão baixa.

    Ele estava na cidade para assistir o clássico contra a Argentina, no Mineirão.

    No período que comandou a CBF por causa da licença de Marco Polo Del Nero, o coronel aproveitou os luxos da entidade. Em abril de 2016, usou o jato da confederação para viajar para Fernando de Noronha(PE) e para o Rio Grande do Norte. (SR)

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